FMI admite fragilidade dos mercados financeiros globais; proposta dos Brics em Kazan é pavimentar uma nova via
Dois textos recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) alertam para os riscos financeiros cada vez mais graves no mundo. Um deles (“Global Financial Fragilities Mount Despite Rate Cuts and Buoyant Markets”, algo como “Fragilidades financeiras globais aumentam apesar dos cortes de taxas e mercados dinâmicos”) é assinado por Tobias Adrian, chefe do setor de mercado financeiro do FMI, Sheheryar Malik e Jason Wu.
Dizem os economistas do Fundo que “a boa notícia é que os riscos de estabilidade financeira de curto prazo permanecem contidos” com “probabilidade de um pouso suave para a economia global”. Mas crescem as preocupações com o descasamento entre o mercado financeiro e a vida real.
Em 2 pontos: altas avaliações de ativos, aumento dos níveis de dívida do governo e do setor privado e maior uso de alavancagem por instituições financeiras; e a desconexão entre a incerteza elevada – especialmente riscos geopolíticos – e a volatilidade do mercado financeiro. “Os preços dos ativos podem não refletir totalmente o impacto potencial de guerras e disputas comerciais.”
O segundo texto (“Global Public Debt Is Probably Worse Than it Looks”, ou “A dívida pública global é provavelmente pior do que parece”) tem o título autoexplicável. “A dívida pública global é muito alta. Espera-se que exceda US$ 100 trilhões, ou cerca de 93% do Produto Interno Bruto global até o final deste ano, e se aproxime de 100% do PIB até 2030. Isso é 10 pontos percentuais do PIB acima de 2019, ou seja, antes da pandemia.”
A tradução para o quadro pintado pelo FMI é que o mercado financeiro internacional, tal como se configura desde o final do século passado e início deste, está em crise; na busca para manter um sistema disfuncional, leva o planeta a uma espiral de competição e guerras.
Este é o pano de fundo das mudanças que o Brics tem feito e que avançarão na 16ª Cúpula, que se realiza em Kazan, Rússia. O objetivo é traçar um caminho para fora dessa espiral e que, ainda que pouco a pouco, enterre o atual sistema. Não à toa a barreira de críticas que enfrenta o bloco. Que, apesar das resistências, cresce e se fortalece.
Democratizar as finanças
Nesta quarta-feira, às 15h, o Salão Nobre da Câmara dos Deputados sediará o lançamento da Frente Parlamentar Mista dos Correspondentes Bancários, promovida pela Associação Nacional das Empresas Correspondentes Bancárias (Anec). A Frente, presidida pelo deputado federal Luiz Fernando Faria, tem como pautas:
- Acesso amplo e digno a serviços financeiros para a população.
- Regulamentação justa e eficiente para o setor.
- Combate a práticas irregulares.
- Ampliação da voz dos correspondentes bancários nas discussões parlamentares.
