Jornais internacionais repercutem ex-presidente acusado por tentativa de golpe e destacam que STF continuou julgamento apesar da ‘pressão de Trump’
“Um passo transcendental contra a impunidade”: foi assim que o jornal espanhol El País descreveu o feito brasileiro desta quinta-feira (11/09), após o Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria, quatro em cinco votos, pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023) e oficiais militares, por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
O periódico destaca, ainda, que apesar da “formidável pressão de Donald Trump”, presidente dos Estados Unidos e aliado político do ex-mandatário condenado, que tem ameaçado o uso de poder militar e econômico para atacar o Brasil, “o julgamento continuou”.
“Foi condenado por liderar um plano golpista para não entregar o poder a seu rival, Luiz Inácio Lula da Silva, depois de perder as eleições em 2022”, escreveu.
O norte-americano The Washington Post chegou a mencionar “um complô que incluía planos para assassinar” o atual presidente Lula, em um caso que “abalou esta jovem democracia e prejudicou suas relações com o presidente Donald Trump”.
Por sua vez, o britânico The Guardian afirmou que o Judiciário brasileiro deixou o “populista de extrema direita enfrentando uma sentença de décadas por liderar a conspiração criminosa”. As sentenças serão decididas na sexta-feira (12/09), e o ex-mandatário condenado pode pegar até 43 anos de cadeia.
“A euforia progressiva com a queda de um presidente culpado pela destruição desenfreada do meio ambiente, centenas de milhares de mortes por Covid e ataques a minorias, foi temperada pela percepção de que seu movimento político permanece muito vivo”, escreve o jornal, acrescentando que há questionamentos em relação ao ministro Luiz Fux, que se opôs à condenação de Bolsonaro, sobre se o caso possa “abrir a porta para contestações legais e até mesmo a anulação do julgamento no futuro”.
Bolsonaro foi “acusado de supervisionar uma vasta conspiração”, segundo o jornal norte-americano The New York Times, que acrescentou que o esquema incluía “planos para anular a votação e assassinar o vencedor da eleição, Luiz Inácio Lula da Silva”, antes de assumir o Executivo.
Segundo o jornal francês Le Monde, o ex-presidente que se considera inocente, é acusado de ser líder de uma “organização criminosa” que conspirou para garantir sua “manutenção autoritária no poder”.
De acordo com o periódico, a condenação desta quinta-feira marca “um momento crucial em um julgamento de um mês que testou a maior democracia da América Latina, dominou as manchetes no país e no exterior e lançou dúvidas sobre o futuro legal e político da figura de direita mais poderosa do Brasil”.
O veículo russo RT destacou que as deliberações do STF têm sido motivo de protestos por parte dos apoiadores de Bolsonaro, associando esse comportamento à transmissão “praticamente ao vivo da mídia”.
“Se a sentença for apelada e sua tramitação for prolongada, o desfecho do caso poderá se aproximar das eleições presidenciais de 2026, nas quais Bolsonaro insiste que concorrerá como candidato”, acrescenta.
