Desde 2015, o dia 11 de fevereiro é uma data comemorativa para a luta feminina na ciência. O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência foi estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) e já foi implementado pela UNESCO e pela ONU-Mulheres, em colaboração com instituições e parceiros da sociedade civil.
A data passou a integrar o calendário da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2019, com eventos, ações e outras iniciativas que têm como objetivos dar visibilidade ao papel e às contribuições fundamentais das mulheres nas áreas de pesquisa científica e tecnológica, e assegurar o acesso e a participação plena e igualitária de mulheres e meninas na ciência e tecnologia. O Programa Fiocruz Mulheres e Meninas na Ciência tem um início promissor, trabalhado a muitas mãos. A consolidação do Programa e seu aprofundamento são resultado de um esforço coletivo e cotidiano empreendido por todas as unidades da Fiocruz.
Atualmente, a Fiocruz Brasília conta com uma diretora, Fabiana Damásio, uma vice-diretora, Denise Oliveira, e uma diretora executiva em sua Escola de Governo, Luciana Sepúlveda, além de mulheres à frente de outros setores, como Juliana Souza, coordenadora de Gestão, e Katia Zeredo, coordenadora do Serviço de Gestão do Trabalho. Denise, Juliana e Katia, como representantes do coletivo de mulheres da Fiocruz Brasília.
O Distrito Federal, com suas universidades de renome e centros de pesquisa, tem sido um berço fértil para talentos femininos que, cada vez mais, contribuem para o avanço do conhecimento e da tecnologia no Brasil e no mundo. O cenário está mudando, e as meninas do DF estão ganhando cada vez mais espaço nas ciências.
O Instituto Federal de Brasília (IFB) tem-se empenhado, ao longo dos anos, em promover ações que incentivem e valorizem a presença de mulheres e meninas na ciência.
No IFB, o “Meninas na Ciência” teve suas primeiras discussões em 2017. Naquele momento, a proposta surgiu como um desafio de incentivar a participação de mais meninas em projetos nas áreas de ciências, especialmente química, física, biologia e matemática.
O grupo surgiu no dia 1º de fevereiro de 2021, inicialmente no formato virtual pelo Instagram @meninasnacienciaifb em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência com a campanha “Conheça uma cientista” que divulgou mulheres estudantes, servidoras do IFB e suas atividades. Em 2022, no formato presencial, foi feita uma divulgação diretamente nas salas de aula do ensino médio, convidando as estudantes a participarem de atividades de extensão.
Sylvana Santos, professora do curso, reafirmou a importância de convidar as estudantes dos cursos superiores do campus Brasília e de outros campi do IFB, que atualmente são 10, mas as maiores frequentadoras são do ensino médio do curso Técnico em Informática. “A quantidade de estudantes frequentes varia entre 8 e 20 e as reuniões são quinzenais e presenciais. Os projetos ou ações são desenvolvidos a partir de ideias das servidoras técnicas e docentes e também a partir do desejo das próprias frequentadoras, além da adesão a editais de fomento à pesquisa e extensão. Em 2025, alcançamos 15 meninas frequentes, sendo a maioria do 1º ano do curso, com idade entre 15 e 16 anos”, concluiu.
O último projeto foi a instalação de caixas com absorventes íntimos para a campanha de combate à pobreza menstrual no campus Brasília do IFB. No dia 24 de janeiro de 2025, foi lançada a ação “Meninas na Ciência pela Dignidade Menstrual” no IFB Campus Brasília do IFB. Caixinhas contendo absorventes e cartazes sobre a importância de conhecer o próprio corpo e cuidar dele – tudo feito pelas estudantes que integram o projeto Meninas na Ciência IFB. As caixas foram colocadas nos banheiros femininos do IFB Campus Brasília.
Sabendo que a Dignidade Menstrual é um direito humano e que muitas meninas e mulheres ainda hoje deixam de frequentar a escola e o trabalho por não ter como comprar os produtos de higiene menstrual, essa ação conta com o apoio dos projetos desenvolvidos pelas Professora Izabel Ibiapina – Meninas em Rede e das professoras Paula Dutra e Sylvana Santos.
Uma das alunas do curso, Alicia Barros, de 18 anos, concluiu o ensino médio e agora é a mais nova caloura no curso de psicologia na UnB. Ela incentiva outras meninas a retomarem seu lugar de poder. “Steam, que na tradução literal significa Science, Technology, Engineering, Arts, Mathematics é uma metodologia que engloba um universo de possibilidades. Muitas vezes somos criadas para seguir profissões ditas como femininas e não nos dão a oportunidade de estudar o mundo amplo da ciência, seja ela exata, tecnológica ou artística. Meus pais sempre me apoiaram, por isso, para todas as mulheres e meninas que sentem no fundo do coração -assim como eu sentia- que podem contribuir para o mundo, para a ciência e pra vida: sigam, continuem e tenham muita força e perseverança, porque a gente merece o que o mundo tem a oferecer, e ele tem muito”.
Mais do que uma data de celebração, o Dia das Meninas e Mulheres na Ciência é um lembrete da responsabilidade de abrir portas todos os dias e desconstruir estereótipos de gênero.
