A dialética segue seu curso no Oriente Médio cada vez mais explosivo.
Para tentar sobreviver, os palestinos, acossados e perseguidos pelo Estado Terrorista hobbesiano de Israel, armado pelos Estados Unidos, estão sendo obrigados a construir o seu contrário: o Estado Guerrilheiro.
Não há alternativa, no jogo dos contrários, que move a história, dominada pela luta de classes, senão a Palestina se transformar em foco de guerrilha, incendiando toda a região, ao lado dos seus aliados resistentes ao massacre sionista.
O império sionista, com todo seu poderio, não quer a solução de dois estados, pregada pela ONU; que fazer?
Como diria Hegel, teórico da dialética, a tese é o Estado terrorista; a antítese, o Estado guerrilheiro, e a síntese, algo que será de duas uma: ou a destruição completa de um dos contentores, do Estado terrorista ou do Estado guerrilheiro, ou uma acomodação, para salto qualitativo e quantitativo rumo à nova realidade global multipolar.
Haveria o repeteco da situação a que chegou, por exemplo, o confronto Estados Unidos x Vietnã, na década de 1970, quando o império se rendeu, com todo o seu terrorismo, à guerrilha, que organizou o Estado vietnamita para a resistência histórica?
A síntese será escrita ou não por outra correlação de forças, dada pela resistência heróica da guerrilha, se não for eliminada por outra força que poderia ser aquela que reduziria a pó os dois lados em disputa: a debacle nuclear, elevando a humanidade ao seu grau de loucura irracional, mais uma vez?
NOVA OPEP À VISTA?
Mas, restaria ainda algo que pode acontecer, com a emergência inescapável do que já está em andamento, ou seja, a emergência do Estado guerrilheiro, com a guerrilha sendo o modus operandi de uma nova conjuntura de guerra, espalhando-se por todo o Oriente Médio, como cogita a historiador José Luís Fiori.
Não estaria descartada, então, a repetição, em novo formato e nova circunstância histórica, do que aconteceu, em 1973, com a emergência da crise do petróleo.
Nesse momento, as cotações do produto já ameaçam a escalada.
Os países produtores, nos anos 1970, cansados de servirem às potências imperialistas o ouro negro a preço insignificante, viraram o jogo.
Formaram o cartel do petróleo e subiram sua cotação, impondo nova correlação de forças à qual o mundo teve que se submeter.
Emergiram, com o cartel, o poder dos produtores sobre os consumidores e nova política de preço internacional vigorou à revelia dos protestos dos poderosos.
Mutatis mutandis, poderia ou não, ao lado do crescimento de Estado guerrilheiro – que seriam diversos, não, apenas, a Palestina – renascer cartel político em torno do petróleo, não mais motivado para elevar a cotação do óleo, mas para pôr fim à guerra, boicotando fornecimento ao Estado terrorista?
A emergência do Estado guerrilheiro como oposição dialética ao Estado terrorista poderia ou não desatar, em nome da paz, com consequente imediato cessar-fogo, o boicote ao abastecimento da guerra terrorista sionista financiada pelos Estados Unidos?
A iniciativa para a paz não está fora do Oriente Médio – por exemplo, dentro da ONU, que perdeu importância estratégica por se submeter completamente a Washington, desde a invasão do Iraque, em 2003 – mas dentro dele, e compreende a própria guerra em forma de guerrilha, como fator de resistência ao terror.
O abastecimento de petróleo, fundamental a Israel para continuar a guerra, acaba com a guerra, se for suspenso por quem tem abastecido o sionismo.
Será isso o que o aiatolá Khamenei quis dizer, com rifle na mão, que Israel pode desaparecer em curto prazo, de bico aberto com sede de petróleo?
NOVA INTIFADA 2.0 E OS BRICS
Enquanto isso, o Estado guerrilheiro estará, nesse novo contexto, produzindo nova Intifada com armas fornecidas pelos aliados da guerrilha: Irã e Rússia, certamente.
Altas patentes russas se reuniram com a cúpula do Irã, nos últimos dias, para trocas de informações.
E qual seria, também, o papel dos BRICS nesse novo contexto, sabendo que grandes produtores de petróleo, como Arábia Saudita e o próprio Irã, para não falar da Rússia, terão papel decisivo no cenário da guerra de guerrilha que se desdobra como resistência ao terrorismo de Estado praticado por Israel?
A polaridade explosiva entre o Estado guerrilheiro, como antítese à tese do Estado terrorista, tem tudo para sacolejar violentamente a economia mundial, no curto prazo, dando sinais de instabilidade geral dos preços num capitalismo amplamente dominado pela financeirização econômica.
Seus desdobramentos são incógnitas totais no ambiente em que o capitalismo se encontra dominado pela ficção especulativa, descolado da realidade objetiva, da produção de mercadorias.
Sua essência atual agora é outra: expansão da produção de não-mercadorias (produtos bélicos e espaciais), destinada à imediata destruição, como instrumento impulsionador da guerra pela moeda imperialista hegemônica sem lastro real.
Portanto, contra o capitalismo da destruição, característica do Estado terrorista, só a tática guerrilheira preconizada por Fiori.
(*) Por César Fonseca, jornalista, atua no programa Tecendo o Amanhã, da TV Comunitária do Rio, é conselheiro da TVCOMDF e edita o site Independência Sul Americana.
