Perdas do acordo não são apenas de curto prazo, pois haverá um alto preço para a Europa no longo prazo, explicam economistas.
O professor Julian Hinz, do Instituto Kiel para a Economia Mundial, alertou que o novo acordo comercial fechado no domingo entre União Europeia (UE) e Estados Unidos marca um sério afastamento dos princípios do comércio multilateral e provoca perdas para a Europa também no longo prazo:
“Embora a UE possa evitar uma guerra comercial no curto prazo, está pagando um alto preço no longo prazo ao abandonar os princípios do sistema de comércio mundial multilateral e baseado em regras da Organização Mundial do Comércio, que tem sido fundamental para garantir a prosperidade da Europa até o momento”, disse Hinz.
Clemens Fuest, presidente do Instituto ifo, com sede em Munique, disse que o acordo comercial é uma humilhação para a UE, além de refletir um desequilíbrio de poder. “Os europeus precisam acordar, focar mais na força econômica e reduzir sua dependência militar e tecnológica dos EUA. Então, poderão renegociar”, disse ele.
Documento divulgado pela Casa Branca na segunda-feira mostra que a grande maioria das exportações da UE para os Estados Unidos, incluindo produtos farmacêuticos, automóveis, peças e semicondutores, enfrentará uma tarifa de 15%, enquanto os produtos europeus de aço, alumínio e cobre continuarão sujeitos a uma tarifa de 50%.
Portugal sofre com tarifas sobre armas, vinhos e outros
As indústrias do norte de Portugal são particularmente vulneráveis às novas tarifas, que entrarão em vigor em agosto. Os principais setores afetados incluem armas, vinhos, produtos farmacêuticos e artigos de luxo, informou o Jornal de Notícias nesta terça-feira.
A indústria de armamentos é a mais exposta, com 71% dos US$ 96,8 milhões das exportações destinados aos Estados Unidos, quase todos provenientes da fábrica da Browning em Viana do Castelo. O vinho é outra grande preocupação. Os EUA são o segundo maior mercado de exportação de vinhos de Portugal.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, alertou que a Polônia pode perder cerca de US$ 2,15 bilhões como resultado das novas tarifas sobre produtos europeus.
O professor Jacek Tomkiewicz, da Universidade Kozminski, afirmou que o impacto na Polônia será mais significativo para as empresas de médio porte que fornecem peças para as indústrias alemãs, especialmente no setor automotivo. Embora apenas cerca de 3% das exportações polonesas vão diretamente para os Estados Unidos, a economia polonesa está intimamente ligada à Alemanha, um grande exportador para o mercado estadunidense.
