Multilateralismo e modernização marcam Fórum de Mídia do Brics; “Não vamos parar devido aos uivos dos lobos”
Fortalecer a cooperação, defender o multilateralismo e alcançar a modernização para todos os países: estas foram as palavras de destaque da abertura do 7º Fórum de Mídia e Think Tanks do Brics, nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro.
Fu Hua, presidente da agência de notícias Xinhua, destacou a presença de 36 países e mais de 250 pessoas no evento, já que o Brics é o principal canal de cooperação do Sul Global. Ele lembrou os avanços obtidos pelo bloco nas cúpulas realizadas na Rússia, em 2024, e no Brasil, este ano.
Wu Hailong, presidente da Associação de Diplomacia Pública da China, afirmou que alguns países não veem com bons olhos o Brics, mas ressaltou que isso é contra a lógica, já que o Brics não é contra ninguém, e sim defende a paz e o progresso. “Não vamos parar devido aos uivos dos lobos.” Ele destacou que os países do Brics devem se unir ainda mais, aproveitar vantagens e crescer, apoiar o multilateralismo, se opor ao unilateralismo e a atos de intimidação.
Hernández Castillo, presidente do Parlamento Centro-Americano, convocou todos os países a fortalecer a cooperação Sul-Sul por um mundo mais justo e humanitário, em que todos merecem um lugar digno na mesa global.
A cônsul-geral da China no Rio de Janeiro, Tian Min, afirmou que alcançar a modernização não é um privilégio de poucos países. Por sua vez, Gustavo Raposo, diretor do Departamento de Mídia Internacional da Secom, assinalou os avanços obtidos pelo Brics na Cúpula de 2025, no Rio de Janeiro.
Wang Quanchun, vice-diretor do Instituto de História e Literatura do PC chinês, fez um histórico do Brics, que passou do conceito econômico para um movimento de cooperação global robusto. Motor do crescimento global, o Brics rompe com a ideia de que modernização é igual a ocidentalização.
Mohamed Hussein Ibrahim Mahmoud, primeiro subsecretário do Serviço de Informação estatal do Egito, listou, no Fórum de Mídia e Think Tanks, alguns desafios — especialmente o domínio dos países do Ocidente no FMI, Banco Mundial e sistema Swift. Ele defendeu uma moeda única que não deixe mais o mundo depender do dólar.
Marydé Fernández López, vice-chefe do Departamento de Ideologia do PC de Cuba, manifestou indignação contra o bloqueio a seu país, que agora se estende em ameaça a outros países. Disse que a guerra cognitiva se tornou central e que a comunicação é uma tarefa política, cultural e civilizatória.
Yeidckol Gurwitz, do Comitê de Relações Exteriores do Senado do México, criticou os crescentes gastos com armas, defendendo que esses recursos devem ir para a saúde e a educação.
A vice-presidente da Assembleia Legislativa do RJ (Alerj), Tia Ju, reafirmou a importância da mídia do Brics e ressaltou que as vozes do Sul Global não podem ser secundárias.

Martin Jacques, da Universidade de Tsinghua, analisou que Trump 2.0 é uma reação ao novo mundo, ao tentar destruir o sistema internacional e construir um de acordo com seus próprios interesses, ainda que prejudicando aliados.
Ali Muhamad Ali, diretor da News Agency da Nigéria, finalizou dizendo que a força do Brics, combinada, é imparável.
O Fórum de Mídia e Think Tanks do Brics foi organizado pela Xinhua e coorganizado pelo Monitor Mercantil, EBC e Brasil247.
(*) Marcos de Oliveira
