Exportações de manufaturados e terras raras disparam, mas superávit cai pela metade com importação de plataforma da China
As exportações do Brasil para a China no primeiro semestre de 2025 somaram US$ 47,7 bilhões uma queda de 7,5% em relação ao mesmo período de 2024 e a maior retração desde 2015, apesar de forte aumento em alguns manufaturados e em vendas de terras raras. As importações com origem na China cresceram 22%, chegando a US$ 35,7 bilhões – um recorde para o período. A importação bilionária de uma plataforma de petróleo em fevereiro de 2025 elevou em 9 pontos percentuais o crescimento das compras com origem na China, o que manteve o produto no topo da pauta de importações chinesas feitas pelo Brasil.
“Se for excluída a plataforma das importações totais do Brasil com origem no país asiático, o crescimento das compras no semestre cairia de 22% para 13%”, demonstra o levantamento. “Por outro lado, o avanço das compras de outros produtos que entram com maior frequência no mercado nacional reduziu a participação da plataforma na pauta, que chegou a 7,5% no primeiro semestre, 11,5 pontos percentuais a menos do que no primeiro bimestre do ano.”
Com isso, o superávit na balança comercial com a China ficou em US$ 12 bilhões, praticamente a metade do saldo obtido no mesmo período de 2024 e o menor desde 2019. Ainda assim, esse montante correspondeu a 40% do superávit total do comércio exterior brasileiro no período. Os dados são do CEBC Alerta, de julho de 2025, publicação do Conselho Empresarial Brasil–China.
Balança registra superávit de US$ 1,09 bilhão no início de julho | Monitor Mercantil
No primeiro semestre de 2025, o Rio de Janeiro foi o estado que mais exportou para a China, respondendo por 15,7% do total. São Paulo foi o principal responsável pelas importações brasileiras vindas do país asiático, com participação de 31%.
As exportações brasileiras para a China continuaram, no primeiro semestre de 2025, fortemente concentradas em commodities. Porém alguns manufaturados industriais têm apresentado crescimento muito acima da média. “Um exemplo marcante foi o aumento de 10 vezes nas exportações de torneiras para canalizações, que totalizaram US$ 37 milhões. Também cresceram as exportações de dispositivos para aquecimento (20 vezes), centrifugadores (16 vezes) e aferidores de gases (35 vezes)”, assinala a publicação.
Também tiveram alta expressiva os embarques para a China de compostos de metais de terras raras, amplamente utilizados em tecnologias de ponta, como veículos elétricos (EVs). As vendas brasileiras somaram US$ 6,7 milhões, mais que o triplo do total exportado ao longo de todo o ano de 2024.
Por outro lado, o Brasil registrou aumento expressivo na entrada de produtos de ferro e aço chineses, sendo que as importações de alguns produtos duplicaram, triplicara ou quadruplicaram. “As importações de semimanufaturados de ferro ou aço não ligado cresceram 22 vezes”, destaca o CEBC.
O volume das importações de carros híbridos chineses pelo Brasil cresceu 52% no semestre. A análise mensal dos últimos 18 meses revela picos de importação em junho de 2025 e no mesmo mês de 2024, tendência que reflete a estratégia dos importadores de antecipar os embarques antes da elevação gradual da tarifa sobre veículos eletrificados, segundo a publicação.
Fonte: Monitor Mercantil
