Diante das revelações sobre o escândalo envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), a CUT-DF e outras entidades como o Sinpro-DF realizaram na última segunda-feira (24) uma mobilização em frente ao Palácio do Buriti, cobrando do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e da vice-governadora, Celina Leão, explicações sobre seu papel na operação que expôs o patrimônio público a um rombo bilionário.
Na tarde da última quarta-feira (19), a CUT-DF convocou uma reunião de emergência para debater o caso e organizar uma resposta imediata. Como resultado, foi convocada a manifestação em defesa do patrimônio do DF e pela apuração completa do envolvimento do GDF na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB.
“A população precisa de respostas”
Rodrigo Rodrigues, presidente da CUT-DF, defendeu a necessidade de reação imediata da classe trabalhadora. “Os interesses dessa compra de um banco falido nunca foram explicados por Ibaneis. Ontem tivemos a prisão do dono do Banco Master, denúncias envolvendo o BRB, operações da PF… Precisamos dar uma resposta. O governador tem influência no Judiciário, há ligações diretas entre os envolvidos. É uma crise gigantesca, e escancara a necessidade de mudar os rumos dessa cidade.”
Categorias alertam: denúncias já eram antigas
Ivan Amarante, dirigente do Sindicato dos Bancários e trabalhador do BRB, relembrou que o sindicato já havia denunciado a operação muito antes das investigações ganharem força.
Segundo ele, o Banco Central barrou a compra em setembro por falta de documentação, mas as tratativas entre Master e BRB ocorriam desde agosto de 2023.
O dirigente também alertou que o Iprev, dono de 16% das ações do BRB, tem sua carteira e, portanto, a aposentadoria dos servidores, diretamente exposta ao risco do escândalo. Para Ivan, a atual crise é resultado de uma gestão desastrosa indicada por Ibaneis, que desmontou a administração do Banco.
Unidade sindical e pressão popular
A mobilização da última segunda-feira nasceu da unidade de diversas entidades. Mauro Montineli, do Sindicato dos Urbanitários-DF, reforçou a necessidade de ampliar a comunicação com a população. Ele propôs a produção de materiais unificados para distribuição nas ruas, especialmente na Rodoviária do Plano Piloto, ressaltando que “a CUT não aceita e os sindicatos não aceitam esse ataque ao patrimônio do DF”.
Márcia Gilda, dirigente do Sinpro-DF, destacou a contradição do governo. “Enquanto o DF enfrenta calamidades na assistência social, saúde e educação, o GDF segue investindo bilhões em renúncias fiscais e agora se vê envolvido numa ‘falcatrua bilionária’ ligada ao Banco Master”.
Representantes de outros estados também demonstraram preocupação. Izael Ribeiro, da CUT Alagoas, lembrou que Maceió passará a receber pagamentos pelo BRB, envolvendo um estudo previdenciário de R$ 117 milhões com o Master, tudo sem transparência alguma.
Cleber Soares, dirigente da CUT-DF, apontou que a crise é extremamente grave e pode desencadear uma grande mobilização política no DF. “É preciso convencer a população da gravidade do que está acontecendo. Estão tentando salvar um banco privado falido enquanto perseguem servidores, retiram recursos da educação e da saúde e punem categorias com multas milionárias.”
Já Guilherme Sigmaringa, presidente do PT-DF, alertou para a necessidade de proteger o BRB, patrimônio histórico e estratégico do DF, concentrando o foco na responsabilidade do governo Ibaneis nessa crise.
Entenda o caso
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), tornou réus o Governo do Distrito Federal e Juliana Monici, chefe de gabinete de Ibaneis Rocha, em um processo que investiga operações suspeitas vinculadas ao BRB.
De acordo com a CVM, há indícios de engenharia contábil e financeira entre o BRB e o Banco Master, com movimentações na ordem de R$ 16,7 bilhões entre 2024 e 2025.Juliana Monici é ré por atuar como conselheira fiscal do BRB um papel que pode ter sido estratégico nessas operações, dada a sua ligação direta com o gabinete do governador
O escândalo do Banco Master envolve o Governo do Distrito Federal porque o BRB tornou-se um dos principais sustentáculos financeiros do Master pouco antes da descoberta da fraude.
