A saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU é uma excelente notícia e significa que várias políticas públicas deram certo. Não existe uma bala de prata num tema como esse. O Brasil já tinha saído dessa estatística, mas voltou no triênio de 2019, 2020 e 2021, e agora saiu novamente. Para que o país saísse do Mapa da Fome, programas como o Bolsa Família, outras tantas políticas de assistência, o atendimento do SUS, a merenda escolar, tudo tem que funcionar para que o país atinja esse alvo tão importante e tenha uma rede de proteção eficiente para retirar as pessoas do risco da fome.
- Mapa da Fome: Entenda por que o Brasil deixou o indicador da ONU após três anos
- Lula comemora saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU e alfineta Bolsonaro: ‘A gente teve que carregar os dados de 2022’
O presidente Lula, ontem, ligou para o presidente da FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, Qu Dongyu, disse que era o dia mais feliz da vida dele, e se comprometeu a melhorar esses números. Por que ele disse que vai melhorar? Porque quando a gente fala que saiu do Mapa da Fome, não significa que não há mais pessoas nessa situação de insegurança alimentar no país. Ainda há brasileiros passando fome, mas o percentual de pessoas nessa situação corresponde a menos de 2,5% da população. A ONU considera que quando se chega a esse percentual o país pode ser excluído do Mapa da Fome. Mas a vida não é feita em percentual. Então, se tem 2,5% ou menos da população brasileira com risco de subnutrição, dificuldade de acesso à alimentação, o Brasil tem que fazer ainda melhor.
Ontem, Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, disse que vai fazer busca ativa pelos brasileiros que ainda não foram suficientemente atendidos pelas políticas públicas que visam a redução da pobreza. Essas políticas são feitas com os nossos impostos, aliás, é para isso que pagamos impostos, para que o governo tenha capacidade de oferecer um atendimento amplo à população.
Mas isso não é suficiente, continua sendo fundamental a atuação de organizações sociais que se mobilizam pela proteção dos brasileiros vulneráveis. Entre essas ONGs, vale ressaltar a Ação da Cidadania contra a Fome, criada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, em 1993. Foi Betinho que começou a levantar essa bandeira, que acabou se tornando uma política pública, mas que não abdica do braço da sociedade.
O fato é que tem muita gente trabalhando do jeito certo no governo e fora dele para que se chegue a esse resultado. E esse desempenho pode ser ainda melhor e o presidente se comprometeu com números melhores no próximo ano. Sair do Mapa da Fome, até 2026, foi uma promessa de campanha de Lula.
Para alcançar melhores resultados, é preciso reavaliar e aprimorar políticas públicas, como foi feito recentemente com o Bolsa Família, programa que foi deixado por quase um milhão de famílias que progrediram do ponto de vista social, tiveram uma evolução de renda e deixaram de precisar dessa ajuda do Estado.
A saída do Brasil do Mapa da Fome é um respiro, mas não podemos perder de vista a necessidade de continuar nesse caminho para derrubar ainda mais esse número. De qualquer maneira quando se pensa que houve um momento no governo Bolsonaro que pobres disputavam o osso dos açougues é um alívio uma notícia que foi dada pela ONU.
