Barragem B1-A, da Emicon Mineração e Terraplenagem, em Brumadinho. — Foto: Globocop
Brumadinho (MG) – A história se repete como farsa – e tragédia anunciada. A mineradora Emicon Mineração e Terraplenagem, responsável pela Barragem B1-A, em Brumadinho, teve que assinar um acordo emergencial com o Ministério Público de Minas Gerais após o aumento do nível de risco da estrutura e o bloqueio de seus bens pela Justiça. A barragem, localizada próxima à comunidade de Quéias, teve sua classificação de emergência elevada para o nível 2 na semana passada, obrigando seis famílias a deixarem suas casas imediatamente.
Apesar da Agência Nacional de Mineração (ANM) afirmar que não há risco iminente de rompimento, o cenário já é de alerta máximo para quem vive às margens da ganância extrativista. O nível 2 exige evacuação preventiva — e foi isso que aconteceu na terça-feira (29), quando as famílias começaram a ser realocadas.
O acordo firmado pela Emicon com o MP inclui uma série de obrigações, que na prática representam o mínimo esperado de qualquer empresa que lida com barragens: garantir segurança estrutural, realocar moradores atingidos, monitoramento técnico contínuo, alarmes sonoros e vigilância permanente.
Só depois do aperto
As medidas só surgiram após a Justiça intervir com bloqueio de bens e ameaça de multa diária de R$ 5 mil aos sócios da empresa caso descumpram o acordo. Um modus operandi conhecido: a mineradora ignora as responsabilidades, o risco aumenta, o Ministério Público intervém e a Justiça corre atrás do prejuízo — quando não é tarde demais.
Vale lembrar: Brumadinho já foi palco de um dos maiores crimes ambientais do país, com o rompimento da barragem da Vale em 2019, que deixou 270 mortos. Desde então, o discurso da “mineração responsável” se mostrou frágil. Agora, outra empresa, em outra barragem, na mesma cidade, volta a colocar vidas em risco.
Moradores desamparados e desinformação
As famílias retiradas de Quéias foram encaminhadas a imóveis provisórios, com aluguel custeado pela prefeitura. Mas ainda não há qualquer previsão de retorno — depende da reclassificação da barragem para nível 1. Enquanto isso, seguem no limbo, sem clareza sobre o futuro.
A Emicon, até o momento, segue em silêncio. Nenhuma manifestação oficial sobre ações concretas para garantir a segurança da população ou recuperar a confiança da comunidade.
Barragens sob vigilância
Além da B1-A, a Emicon também administra outras três estruturas em Brumadinho: Quéias, Dique B3 e Dique B4. O acordo prevê ações emergenciais para todas elas, incluindo descaracterização das barragens, contratação de auditorias independentes e atualização do cadastro no sistema federal de segurança.
Mas é difícil confiar numa empresa que só se mexe depois de bloqueios, multas e pressão pública. Mais uma vez, a mineração mostra que o lucro vem primeiro — e a vida, se der tempo.
