O que está mesmo em julgamento? Não é só Bolsonaro e sua corja, é uma história de arroubos autoritários que transita entre as bases militares, historicamente alimentadas ideologicamente pelo centro hegemônico do capital, as oligarquias rurais de formação escravagista, as seitas pentecostais estruturadas como desde os tempos antigos em conluio com o poder manipulando a fé e, no centro de tudo, o capital financeiro. Tudo isso estruturado num discurso de unidade e divulgado maciçamente por uma mídia que anda de braços dados desde sempre em suas diversas formas, agora por dentro de uma estrutura que vai direto não mais as casas, mas aos bolsos e bolsas via celulares, tudo em redes controladas via big teches. Mudou a forma, virtualizaram tudo, da comunicação ao dinheiro, mas o conteúdo e a estratégia se repetem sempre. A superestrutura do capital se mantém e evolui de conformidade com a tecnologia e as mudanças da sociedade. Se refazem e mudam de caricatura, mas a cara é a mesma. Horas Barack Obama, horas Trump, entre o disfarce e a realidade concreta ainda nos dão algo entre Milei e Bolsonaro.
Nazifascistas em pleno processo de recuperação política em todo o mundo. Expressão das guerras e disputas aparentemente políticas, mas em verdade econômica. O capital financeiro capitalista, responsável pela intermediação financeira já não consegue esconder sua cara, sabe-se agora, publicamente, sempre se soube nos bastidores, é o canal do escoamento e lavagem, não só do dinheiro público subtraído da população através da corrupção da política, é também canal de grupos do crime sem colarinho branco. Aquele que a tv tenta nos fazer crer ser criminoso maior o jovem da favela fotografado de arma em punho, de calibre pesado, produzida, diga-se de passagem, pela indústria bélica norte americana em sua maioria. Não é o Marcola o chefe, não é o Fernandinho que controla tudo, podem até serem os gerentes, mas quem guarda e opera o dinheiro, hoje se sabe, publicamente, onde está. Claro, montaram toda a estrutura de controle e distribuição dos papéis e obrigações, definem as tarefas das gangues, de todas elas, com colarinho ou sem. Limitam e definem até mesmo o que e quando dizer delas. Ele, o sistema financeiro, é a modernidade nazifascista, rondam o mundo e os governos, controlam as guerras e os Estados do seu entorno que o entrona. Ele, o sistema financeiro, em boa parte do mundo, não é mais público e, pior ainda, torna o Estado em seu ente privado.
Mas, nada há de estranho nessa aliança entre o sistema financeiro capitalista e o nazifascismo, ambos tratam a vida com desdém, como sem significância. Não é sem sentido ter a pandemia feito um estrago maior em países onde o capital financeiro se estabeleceu como condutor. A morte ceifa o excedente social e desobriga o Estado do cuidado, essa é a regra.
Delso Oliveira Andrade
Setembro de 2025
