Recomendar, ou determinar, a leitura de livros como A Moreninha, Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Iracema, Senhora, A Escrava Isaura, dentre outros do mesmo estilo, é uma das mais eficazes formas de se introjetar no estudante de 1° grau [gentes de 11, 12, 13 anos de idade] o asco pela leitura.
E isso, infelizmente, é o que a grande maioria dos professores e das professoras santa-marienses faz.
Obrigam as alunas e os alunos a lerem esses clássicos, que são realmente livros importantes, mas não para pré e adolescentes.
O resultado é que, lendo textos com os quais não se identificam e nem lhes causa prazer, não buscam, fora da escola, curtir a chamada leitura prazerosa.
Na Biblioteca Campesina, por exemplo, existem centenas de livros infantojuvenis agradabilíssimos para crianças, pré-adolescentes e adolescentes. Quem ler autores/as como Sylvia Orthof [que tantas saudades deixou], Fanny Abramovich [nossa grande colaboradora, também partiu em novembro de 2017], Monteiro Lobato, Tatiana Belinky, Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Ziraldo…, com certeza se tornará eternamente um[a] amante da leitura.
Portanto, fica nossa sugestão para @s que têm o dever de criar gerações de pessoas cultas, no melhor sentido possível: indiquem, determinem, recomendem leituras que façam com que nossos estudantes se sintam felizes a cada livro lido e sedentos por outros tantos mais.
Com a palavra, Ruth Rocha:
“Raras vezes a escola, seu aparato, com salas de aulas, seus instrumentos, como o livro didático, e sua metodologia, como a execução do dever de casa, provocam lembranças aprazíveis de leitura. As atividades pedagógicas provocam tédio, quando não são vivenciadas como aprisionamento, controle ou obrigação. A leitura parece ficar do lado de fora, porque os professores não a incorporam ao universo do ensino.” [extraído do livro A Formação do Leitor — Ed. Argus, RJ, p. 151]
Finalizando, achei interessante o comentário feito por Thaise, bibliotecária da Campesina: “Naqueles tempos indicavam livros, ainda que inadequados. E hoje nem INA nem ADE…”
Triste constatação…
[Texto publicado originalmente no Corrente Cultural, Boletim da Casa da Cultura Antonio Lisboa de Morais/Biblioteca Campesina, nº 5, janeiro/fevereiro 2001]
Biblioteca Campesina, 27set25
(*) Joaquim Lisboa Neto, colunista do Jornal Brasil Popular, coordenador na Biblioteca Campesina, em Santa Maria da Vitória, Bahia; ativista político de esquerda, militante em prol da soberania nacional.
*As opiniões dos autores de artigos não refletem, necessariamente, o pensamento do Jornal Brasil Popular, sendo de total responsabilidade do próprio autor as informações, os juízos de valor e os conceitos descritos no texto.
