Inserida que é na sociedade e no seu contexto histórico, a escola é também vítima da violência. A agressividade que se observa hoje no interior de escolas da nossa rede pública – e também na rede privada – reflete uma realidade muito mais ampla. Não faz muito tempo que o Brasil viu discursos violentos subirem o tom, promovendo o extermínio do diferente e o esmagamento dos mais vulneráveis. Discursos de ódio ganham eco desde a internet até as ruas, e muitos se orgulham da própria intolerância.
Nesse mesmo contexto, professores são colocados sob suspeição por setores que buscam criminalizar a ciência, o conhecimento e a atuação de educadores em sala de aula. São os mesmos setores que se apresentam contrários à regulamentação das redes sociais, que, notadamente, têm sido palcos e agentes ativos da propagação de discursos violentos.
Conflitos que acontecem dentro da escola são, muitas vezes, construídos em diversas camadas que estão fora dela. Desavenças, disputas, machismo, racismo, LGBTfobia e criminalidade encontram um cenário de incentivo à prática da violência. A ausência de políticas públicas de âmbito distrital é notória. Na contramão da política nacional, o GDF não se empenha, por exemplo, na ampliação do ensino de tempo integral, especialmente no Ensino Médio. Abandonou a política dos batalhões escolares, enquanto a resposta da militarização já se mostrou ineficiente e inadequada.
Mas a escola é justamente o espaço privilegiado de se questionar a violência, de repensar a forma de cada ser humano se inserir no mundo e de se ensinar o respeito, a tolerância e a empatia. Para que ela cumpra sua vocação transformadora, precisa exatamente do que o GDF não lhe tem dado: valorização.
Relembre alguns casos de violência neste ano
Outubro
Um tumulto em uma escola de São Sebastião terminou com o uso de spray de pimenta por uma vigilante para dispersar a confusão. O caso ocorreu na última terça-feira. Ao menos dois estudantes foram hospitalizados devido aos efeitos do gás.
Setembro
Um adolescente foi esfaqueado em frente a uma escola no Riacho Fundo II. Ocorrido no dia 2/10, o crime teria sido motivado por uma briga entre jovens, que aconteceu durante a saída de alunos. Segundo testemunhas, a confusão começou devido a uma desavença entre a vítima e outro menor de idade, por conta de uma fita da torcida organizada do Flamengo.
Agosto
Em 26 de agosto, dois adolescentes, de 17 anos, foram flagrados planejando um massacre a escolas do DF, em meados de setembro. Os alunos gravaram vídeos fabricando armas artesanais e preparando o ataque. Eles mantinham um site próprio, onde propagavam discursos de ódio contra mulheres, negros e pessoas LGBTQIAPN+, além de fazerem apologia ao nazismo.
Julho
Uma adolescente, que estuda em uma escola em Ceilândia, foi ameaçada com uma arma durante uma discussão com outra menina. O caso ocorreu no dia 15. Um vídeo que circulava nas redes sociais mostrava que um homem aparecia, separava as estudantes e apontava a arma para uma delas. Segundo o relato da gestora, a confusão envolveu duas estudantes e o namorado de uma delas, que não é da unidade escolar.
Junho
Em 16 de junho, uma criança foi agredida por um homem de 41 anos durante uma apresentação de uma festa junina em uma escola de Vicente Pires. O menino, junto com outras crianças, estava no palco, quando o agressor subiu e partiu para cima dele. Em nota, a escola afirmou que a família envolvida não seguirá mais vinculada ao colégio.
(*) Rosilene Corrêa, professora aposentada da rede pública de ensino do Distrito Federal e diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e vice-presidenta do PT-DF.
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