Lula quer assinar acordo entre Mercosul e UE em meio ao tarifaço de Trump, mas acerto é prejudicial aos interesses brasileiros.
O governo Lula anseia assinar até o próximo sábado o acordo entre Mercosul e UE. O tarifaço realizado por Donald Trump acabou elevando a importância da parceria comercial entre os países da América do Sul e da Europa. Mas isso não é motivo suficiente para o Brasil aceitar um acordo que prejudica nossas indústrias e apenas acena com ampliação do mercado para o já mais que beneficiado agronegócio.
Não à toa, Alemanha e Suécia são 2 dos países da União Europeia que mais se esforçam para a conclusão do acordo entre Mercosul e UE. Acossadas pela maior competitividade da China e pelas tarifas dos EUA, as indústrias europeias veem com bons olhos a abertura de um mercado de quase 300 milhões de habitantes e que equivale à 5ª economia do mundo.
A Volkswagen fechou, nesta terça-feira, sua primeira fábrica na Alemanha em 88 anos. A crise é fruto de decisões econômicas e políticas equivocadas dos países europeus, agravadas pelas sanções à Rússia impostas pelos Estados Unidos.
Por outro lado, são os países sob maior pressão dos agricultores que resistem ao acordo. França, Polônia e Itália são favoráveis ao adiamento da formalização e defendem modificações nas cláusulas de salvaguarda já negociadas.
A embaixadora Gisela Padovan, secretária para a América Latina e o Caribe do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, afirmou nesta segunda-feira (15) que, apesar da pressão de alguns países europeus, há sinais de que a assinatura poderá ocorrer no próximo fim de semana. De lá para cá, porém, a UE renovou exigências e colocou em dúvida a assinatura no sábado, durante a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, que será realizada em Foz do Iguaçu (PR).
De janeiro a novembro de 2025, o intercâmbio do Brasil com os demais países do Mercosul somou US$ 40,7 bilhões, com superávit de US$ 6,9 bilhões. O Brasil exporta majoritariamente veículos de passageiros e mercadorias, produtos da indústria de transformação e minério de ferro.
“O Brasil mantém o otimismo”, disse Padovan, reconhecendo que pode haver atraso na aprovação pelos órgãos europeus, mas que o importante é concluir as negociações que se arrastam há 26 anos.
A negociação do acordo começou no governo FHC e prosseguiu nos governos Lula 1 e Lula 2. Pode ser fechado no governo Lula 3, e o que mais impressiona é a ausência, em um governo dito progressista, de uma defesa mais efetiva dos interesses nacionais, especialmente da indústria.
Por incrível que pareça, a esperança dos brasileiros em um adiamento do acordo repousa nas mãos de Macron (França) e Meloni (Itália).
