Me permitam pensar fora da caixinha, até mesmo não corroborar com a euforia reinante quanto às prisões. Mudou? Sim, mudou. O suficiente? Não. É nesse tom que quero tratar a questão. “Quando um julgamento apresenta pontos de contestação, como os levantados pelo ministro Fux, é imprescindível que tais questionamentos sejam enfrentados com rigor, e não ignorados”. Essa é a fala da caserna de pijama? Não. Essa é a fala pública de um seleto grupo da elite dos clubes militares das três forças. Mas o que está aí nesse início de texto que pode ter passado desapercebido? A figura de um ministro do STF que passa a ser o alimentador principal da construção de argumentos contrários às condenações da turma de líderes do 8 de janeiro, da tentativa de golpe.
Avancemos na análise. Há de observarmos que boa parte dos militares de alta patente presos, a média de idade está bem distante da idade do pijama, isso nos mostra o quanto ainda está presente nos quarteis a base ideológica autoritária e de extrema direita, não nacionalista, alinhada ao Norte Hegemônico. Mas nos mostra também a importância da indicação de pessoas que irão compor o STF, pois que o Fux, hoje voz dissonante com a grande maioria dos membros daquela corte, foi uma indicação do período do governo Dilma, isso não significa ter sido escolha dela politicamente, sabe-se que o nome dele teve origem na associação dos magistrados. Ora, então com base nesses dois dados podemos dizer o quanto o judiciário está impregnado pela direita e ou extrema direita e em comunhão com a base militar? Sim, creio que sim, é a velha aliança entre a “casa grande”, a “justiça” e a “segurança”. Claro que tem suas exceções temporais, mas não é regra. Anima-nos certas coisas, é natural, precisamos acreditar em algo, mas não podemos nos iludir. Por mais que eu tente, não consigo esquecer que o milagreiro Alexandre de Morais, que me deve a condenação dos financiadores, é uma indicação direta de Temer como fruto de uma relação histórica e umbilical. Como não dá para esquecer a origem de latifúndio oligárquico do Gilmar Mendes, a ponto de ter sido atacado pelo indicado por Lula em função da cor da pele (Joaquim Barbosa). Sim aquele mesmo que comandou o mensalão e perseguiu Dirceu e Genoino. Que nos fez ouvir de uma outra indicação de Dilma: “não tenho provas, mas voto pela condenação” (Rosa Weber).
Não é tão simples assim quando a questão é a composição do STF, como também não é tão simples assim a reestruturação das forças armadas, não são só nomes, são ideologias. Não tão simples a ponto de termos como ministro da defesa um José Mucio.
Agora temos a real disputa posta por mais uma vaga no STF, chega de erros, é Messias e ponto. Dino precisa de companhia, não se iludam, ele está sozinho.
Delso Oliveira Andrade
