Nesse momento estamos nos perguntando: Será que o eixo político geográfico do centro do mundo girará? Para qual direção? Pois é, desde sempre, na história da humanidade, vez por outra o eixo político geográfico do mundo girou e o império central mudou de lugar. Agora, parece que a definição da mudança não é de só do império, mas do que vem a ser o centro do mundo para onde se deslocará o novo império. Parece que já não importa mais o eixo geográfico, ficando só o eixo político. Pois que o eixo geográfico virou virtual e, como virtual, é algo simulado eletronicamente por um programa de computador ou que só existe como resultado de uma demonstração. Agora são os imperadores “Virtuais”, com centro político, mas não geográfico. As nações já não são a determinante para eles, nem mesmo os Estados, estes são meros instrumentos operacionais geridos por marionetes, delas muito bem pagas com o sangue do seu próprio povo que é enterrado como nação.
Esses imperadores têm sob seu domínio, não só as informações sobre as vidas, as nossas vidas, mas têm também sob seu domínio sua própria inteligência, a qual está a nos dominar, a construir imagens e teorias, a apropriar-se dos nossos próprios saberes, cores e sabores sem que nos apercebemos. Está advindo daí a nova hegemonia do capitalismo e, num mundo que não tem mais centro geográfico, físico, o poder não está mais no Estado. Cabe no bolso, mas se mantêm na bolsa, com outros valores.
A inteligência que eles dominam, que teimam em chamar de virtual, nada tem de virtual, expressa sim a disputa, até então ganha por eles. Essa inteligência é real, desumana, mas é real, se sustenta no domínio de e do fato. Essa tal inteligência é mero instrumento programado para conduzir a “vontade da humanidade” a partir das suas crenças. Crenças essas apropriadas a partir do desejo dos novos imperadores. Cujos impérios parecem virtuais pelos absurdos que eles apresentam e representam.
A virtualidade, precisa, urgentemente, se revestir de virtuosidade para se colocar como instrumento da e para a humanidade em seu conjunto e não de e para os novos imperadores. Essa é uma luta real e, por pura mania devo ousar dizer que, embora com outra cara, com outras deformações, essa é também uma forma de luta de classe. O mundo caminha para um nível de concentração de renda e poder que nos levará a algo parecido com Roma. E, pior ainda, nos tempos de Roma, nada era virtual, tudo era real, víamos as caras e não se tinha caricaturas, hoje nem sempre vemos as caras, estão presentes e como presentes as caricaturas.
Delso Oliveira Andrade
