Cielito Rebelatto Junior – Redação Jornal Brasil Popular
Um episódio ocorrido no oeste do Paraná voltou a expor um problema recorrente que afeta a produção rural brasileira: a instabilidade no fornecimento de energia elétrica.
Em uma granja localizada no município de São Miguel do Iguaçu, cerca de 20 mil frangos morreram após falhas no fornecimento de energia, que comprometeram o funcionamento dos equipamentos responsáveis pela ventilação do aviário.
Segundo relatos da produtora responsável pela propriedade, o sistema elétrico passou a apresentar oscilações e, mesmo com o acionamento de um gerador, os equipamentos não conseguiram manter o funcionamento adequado. As variações na rede acabaram danificando componentes do sistema elétrico e interrompendo a ventilação dentro do galpão, condição essencial para manter a temperatura e a sobrevivência das aves.
Sem ventilação adequada, os animais não resistiram ao ambiente interno e morreram rapidamente.
Problema que vai além de um caso isolado
O episódio não é considerado um fato isolado. Entidades do setor rural afirmam que quedas de energia e oscilações na rede elétrica têm se tornado cada vez mais frequentes em diversas regiões do Paraná, causando prejuízos econômicos e perdas produtivas.
Produtores relatam não apenas mortalidade de animais, mas também queima de equipamentos, interrupções na produção agrícola e dificuldades operacionais em propriedades rurais.
Para quem vive da produção no campo, a energia elétrica deixou de ser apenas um insumo secundário. Hoje ela é parte central do funcionamento das propriedades modernas: sistemas de ventilação, irrigação, resfriamento, alimentação automatizada e monitoramento dependem diretamente da estabilidade da rede elétrica.
Energia: um insumo estratégico para a produção de alimentos
A avicultura brasileira é uma das maiores do mundo e depende fortemente de tecnologia. Aviários modernos utilizam sistemas automatizados de controle ambiental, que regulam temperatura, ventilação e umidade.
Quando a energia falha, esses sistemas simplesmente param de funcionar.
Em poucos minutos, a temperatura interna pode subir rapidamente, provocando estresse térmico e mortalidade em massa das aves, como ocorreu no caso do Paraná.
Esse tipo de incidente levanta um debate importante sobre a qualidade da infraestrutura energética nas áreas rurais, especialmente em regiões que concentram produção agroindustrial.
O impacto econômico e social
A morte de 20 mil aves representa não apenas uma perda financeira imediata para o produtor, mas também impactos em toda a cadeia produtiva.
A avicultura envolve pequenos e médios produtores integrados a cooperativas e frigoríficos, além de gerar empregos diretos e indiretos.
Quando um evento como esse ocorre, os prejuízos se espalham por toda a cadeia, afetando produção, logística e abastecimento.
Um alerta para políticas públicas
Especialistas apontam que a expansão da produção agropecuária precisa vir acompanhada de investimentos estruturais em infraestrutura energética no meio rural.
Linhas de transmissão adequadas, manutenção preventiva da rede e estabilidade no fornecimento são condições fundamentais para garantir segurança produtiva.
O caso do Paraná é um alerta claro: produzir alimentos em larga escala exige mais do que tecnologia no campo — exige também um sistema energético robusto e confiável.
Sem isso, quem paga a conta são os produtores, os trabalhadores rurais e, em última instância, toda a sociedade.
