Mobilização envolve diversos setores que defendem jornadas mais equilibradas
Mais de 9 mil empresários brasileiros de diversos setores de atuação assinaram um manifesto público em apoio ao fim da escala 6×1. A mobilização começou no último dia 1º de maio, Dia do Trabalhador, e faz parte da campanha nacional “O Brasil Quer Mais Tempo”, que criou uma frente específica para reunir empresários favoráveis à mudança por meio da plataforma www.brasilquermaistempo.com.br/empresas, gerida pela Ela Marketing Político e Consultoria Ltda.
A iniciativa surge em resposta a críticas que vêm sendo feitas aos projetos de mudança da jornada de trabalho, especialmente discursos que usam pequenos e médios empresários como argumento contra a proposta. Até o momento, 9.010 empresários já endossam a campanha. Para os organizadores da campanha, existe uma tentativa de criar a percepção de que o setor produtivo seria incapaz de se adaptar ao novo modelo.
“O objetivo é mostrar que milhares de empresários brasileiros já entenderam que qualidade de vida e produtividade caminham juntas. Muitos negócios, inclusive nos setores de” e serviços, já adotam outros modelos com resultados positivos para as equipes e para as empresas”, afirma a organização do movimento.
Segundo os articuladores da campanha, o manifesto busca dar visibilidade a empresários que já vêm implementando jornadas mais equilibradas e que relatam benefícios como redução do desgaste das equipes, melhora no ambiente de trabalho, aumento da produtividade e maior retenção de funcionários.
A mobilização integra o movimento “O Brasil Quer Mais Tempo”, criado para ampliar o debate nacional sobre o fim da escala 6×1 e pressionar o Congresso Nacional a avançar nas propostas legislativas sobre o tema. A campanha ganhou força nas últimas semanas com forte adesão popular e apoio de movimentos sociais, parlamentares, influenciadores e agora também do setor empresarial.
O crescimento rápido do manifesto mostra que o debate deixou de ser uma pauta restrita ao campo trabalhista e passou a envolver diferentes setores da sociedade. Existe um empresariado moderno que entende que jornadas mais humanas não representam atraso econômico, mas sim um novo modelo de desenvolvimento, mais sustentável e eficiente.
Além da coleta de assinaturas, a plataforma reúne relatos de empresários, materiais de mobilização e conteúdos sobre experiências de empresas que já operam com jornadas reduzidas. A expectativa dos organizadores é ampliar o número de adesões nas próximas semanas e fortalecer a participação do setor produtivo no debate público.
A campanha “O Brasil Quer Mais Tempo” defende que o fim da escala 6×1 está diretamente ligado à melhoria da saúde mental, da convivência familiar, do descanso e da produtividade sustentável dos trabalhadores brasileiros.
Fim do atual modelo e impactos sobre pequenos negócios são debatidos na Câmara
Ontem, a comissão especial sobre o fim da escala 6×1 da Câmara dos Deputados debateu o impacto dessa jornada de trabalho na rotina das mulheres e dos pequenos negócios.
Mais da metade (51%) dos donos de micro e pequenas empresas e dos MEIs avaliam que o fim da escala de trabalho 6×1 não terá impacto sobre suas empresas, segundo a pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae. O levantamento, realizado neste ano, mostrou que houve um recuo na proporção de empreendedores que consideram que a mudança terá impacto negativo, saindo de 32%, em 2024, para 27%, em 2026.
O estudo também revelou que a quantidade daqueles que acreditam que a iniciativa vai impactar positivamente subiu de 9% para 11%. No total, 87% dos empreendedores declararam estar informados sobre a proposta de alteração da escala. O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, reforça o empenho da instituição em apoiar os pequenos negócios.
“Os esforços do Sebrae, juntamente como educação e saúde, são no sentido de apoiar essas empresas para as mudanças na prática. Além disso, as alterações na jornada devem ser feitas com diálogo, a partir de uma negociação com amplos setores da sociedade, garantindo segurança jurídica e sustentabilidade para empresas e trabalhadores”, reforça.
Boa parte dos depoimentos da comissão destacou o peso desproporcional da escala 6×1 para as trabalhadoras e empreendedoras femininas. A secretária de Trabalho da Mulher, do Idoso e da Juventude da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), Sônia Maria da Silva, avaliou esse impacto.
“Além do trabalho formal, recai sobre elas – de forma desproporcional – as responsabilidades do cuidado da casa, dos filhos, dos idosos e da família. Isso significa que, para milhões de mulheres, a folga de apenas um dia na semana não é descanso, é continuidade do trabalho”, comenta.
Para a secretária-executiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Caroline dos Reis, a desigualdade racial no mercado de trabalho também precisa ser enfrentada. “A escala 6×1 não afeta todas as pessoas da mesma maneira. Ela pesa mais sobre quem já vive uma situação de maior vulnerabilidade”, destaca.
