O velho bordão do Velho Guerreiro Chacrinha – os mais jovens não devem saber quem foi José Abelardo Barbosa – com seu inigualável “Cassino do Chacrinha” continua atual segundo leituras minhas.
Era na Globo. Se você comparar ele com o atual Mion, nas tardes de sábado, vai se fazer muitas perguntas. Quem sabe buscar algo no youtube e pensar.
Foi o que fiz para falar de COMUNICAÇÃO recentemente.
Ele não se “trumbicava”, porque falava de forma simples, acessível, e o povo gostava. Não tinha mau humor.
Recentemente, o CNJ – Conselho Nacional de Justiça – instituiu o Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples para eliminar o uso de “juridiquês”. O objetivo é tornar decisões judiciais, documentos e o atendimento ao público mais claros, diretos e acessíveis a todo cidadão, garantindo o direito à informação e facilitando o entendimento da Justiça.
Vejam:
Já a LEI Nº 15.263, DE 14 DE NOVEMBRO DE 2025 – Institui a Política Nacional de Linguagem Simples nos órgãos e entidades da administração pública direta e indireta de todos os Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Ou seja, vale em todas as esferas governamentais, para todos as pessoas.
Dias atrás em uma audiência pública sobre o Plano Diretor um sujeito abre o evento, dizendo:
Vamos tratar aqui de “recuo de jardim”, “volumetria”, “área permeável”, etc etc.
Entendeu?
Pois então, como disse há dias atrás numa entrevista: “a Lei passou meio distante da população e da imprensa corporativa”.
A Lei da Linguagem Simples, publicada no Diário Oficial da União no dia 17 de novembro, tenta nos ajudar.
Creio que ainda teremos um grande caminho pela frente.
CONGRESSO
Por isso, estou na articulação do 1° Congresso Gaúcho de Comunicação Pública https://www.1congressogauchodecomunicacaopublica.com/
Um dos painéis do mesmo será exatamente sobre o tema da chamada comunicação simples.
Neste painel pretendemos que os cidadãos consigam encontrar, entender e usar as informações publicadas pelos órgãos e entidades da administração. Torna obrigatório que órgãos públicos se comuniquem de forma clara, objetiva e acessível com os cidadãos, usando técnicas como frases curtas, palavras comuns e recursos visuais para facilitar o entendimento e o acesso à informação.
A palestra será de Maria José Finatto que vai nos conduzir para transformar linguagem burocrática em texto que o cidadão compreende, metodologia premiada pelo Google.
Finatto é doutora em Estudos da Linguagem e especialista em Acessibilidade Textual (UFRGS). Pesquisadora premiada pelo Google.
Já Daniela Machado vai nos conduzir para identificar, barrar e corrigir desinformação antes que ela comprometa a credibilidade da sua instituição. Pois, em tempos de “fake News”, manipulações, mentiras e falsificação histórica é essencial informar com verdade, precisão e simplicidade.
Daniela é jornalista e especialista em Letramento Digital (EUA). Coordenadora do EducaMídia. Foco em Integridade da Informação e curadoria responsável de conteúdo.
E por que razão falar de “comunicação pública”?
O Congresso pretende ser inédito e ousado, porque em geral se fala genericamente de comunicação, esquecendo-se de que a comunicação pública é estatal e não estatal.
Sandra Bitencourt vai começar a conversa do dia para mostrar como a imagem pública de uma instituição se constrói e desmorona, nos momentos de instabilidade política.
Sandra é doutora em Comunicação (UFRGS). Jornalista e Pesquisadora. Assessora do Tesouro do Estado (RS).
E aí vem a crise e no geral junto o caos. Por isso, vamos ouvir Soraia Hanna para não perder tempo e nos dizer o que fazer nas primeiras horas de uma crise: protocolos testados em quatro governos estaduais.
Soraia Hanna é autora do livro “Gerindo crises, construindo reputação”. É também sócia da empresa Critério.
Como neste mundo liquido estamos todos navegando nas águas muitas vezes turvas da Internet, estamos trazendo Rodrigo Abella para nos dizer como medir o que realmente importa: diagnóstico de maturidade digital e os indicadores que revelam se a comunicação está blindada ou exposta.
Abelha é diretor-executivo da Social MedIA Gov. Especialista em comunicação baseada em evidências, estágios de maturação digital e sintonia fina com o público.
Em não sendo possível ouvir especialistas nas três esferas de poder estatal, optamos pela vinda do representante da EBC – Empresa Brasileira de Comunicação, Leandro Rolim. Vai nos falar de como a TV 3.0 e a mídia pública nacional podem ampliar a voz da sua instituição além das redes sociais.
Falar de mídia pública, é obrigação falar de dados, de segurança, de transparência. Por isso, Gustavo Ferenci nos falará de como usar transparência e LGPD como instrumentos ativos de legitimidade, não como obrigações a cumprir.
Ferenci é presidente do Fórum de Proteção de Dados dos Municípios.
CONGRESSO – PRESENCIAL E ON LINE
O 1° Congresso gaúcho de comunicação pública será realizado de forma presencial em Porto Alegre e on line no dia 1° de junho de 2026.
Será no Auditório da AIAMU, no 8° andar do Edifício Santa Cruz, o mais alto do Centro Histórico, na “Rua da Praia”, ou seja, Rua dos Andradas, 1234.
A referência além da altura é que tem no térreo uma Panvel.
ESG
Em tempos de preocupações com o meio ambienta, os temas sociais e a governança, o Congresso buscou um local com fácil acessibilidade, com uma “pegada ESG” real.
Os resíduos terão o devido destino para uma entidade de reciclagem, a alimentação além de saudável – sem lactose, sem glúten, virá da economia solidária, de agroindústria familiar, de entidades sociais.
O evento terá acompanhamento de uma arquiteta especializada em acessibilidades para pessoas idosas e PCDs.
Haverá uma COLETA DE LIVROS para doação a uma biblioteca.
APOIOS E PATRICÍNIOS
Além do apoio de entidades de classe da área da comunicação – ARI, SINDIJOR – o evento conta com o apoio da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL– CEF -, CORSAN, CRITÉRIO, Associação dos fiscais de tributos/AIAMU, APMPA-Associação dos Procuradores, Governo do Estado, Assembleia Legislativa.
Adeli Sell é professor, escritor e bacharel em Direito
