Setor de serviços financeiros lidera ranking, com 77% das organizações demonstrando maturidade
Análise da consultoria Kearney, desenvolvida em parceria com a Healthcare Businesswomen’s Association (HBA) e a organização liderada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Equity 2030 Alliance, aponta lacunas críticas no apoio à saúde da mulher no ambiente corporativo. Embora 65% das organizações estejam avançando no suporte à saúde feminina no trabalho, muitas ainda enfrentam dificuldades para transformar conscientização em ações consistentes e mensuráveis.
As descobertas fazem parte da mais recente edição do Index [w]Health Employer, benchmark da Kearney que avalia como as organizações incorporam a saúde da mulher em suas estratégias, lideranças e operações da força de trabalho, considerando diferentes setores e regiões.
Com 65% das organizações demonstrando avanços consistentes, o índice evidencia diferenças significativas entre os setores. O segmento de serviços financeiros lidera, com 77% de maturidade, seguido por consumo e varejo, com 71%. Já as indústrias de energia e processos apresentam o menor índice, com 58%.
O estudo chama atenção o desempenho do setor de saúde e ciências da vida que, apesar da proximidade com a inovação em saúde, ainda apresenta fragilidades em áreas como governança de dados, comunicação e promoção de uma cultura inclusiva.
Os empregadores apresentam melhor desempenho em benefícios e investimentos em bem-estar, mas ainda deixam lacunas importantes em educação, comunicação e escuta ativa dos colaboradores. Apenas 51% oferecem programas robustos de educação e treinamento específicos sobre sexo e gênero, enquanto somente 54% monitoram sistematicamente iniciativas relacionadas à saúde da mulher e coletam dados específicos para orientar melhorias em políticas corporativas.
Muitas empresas ainda tratam a saúde da mulher de forma isolada – restrita, por exemplo, a benefícios ligados à maternidade ou saúde reprodutiva – em vez de integrá-la ao desenho da força de trabalho e à estratégia de negócios de longo prazo.
Mais da metade das brasileiras não está trabalhando atualmente
Segundo a Pesquisa Panorama da Mulher no Trabalho 2026, realizada pelo Infojobs com 1.022 respondentes, 54% das mulheres brasileiras não estão trabalhando atualmente. O desemprego é ainda mais intenso entre as profissionais com 45 anos ou mais, faixa que representa 37% da amostra e na qual 60% estão fora do mercado.
A pesquisa também evidencia que a representação feminina em cargos de liderança continua restrita: apenas 3% das respondentes ocupam posições de diretoria ou liderança sênior, e 5% atuam em cargos de coordenação ou gestão. A maioria está no início da carreira (21%) ou em funções de especialista/analista (17%).
A pesquisa ainda aponta que apenas 45% das entrevistadas percebem igualdade de gênero em cargos de liderança dentro de suas empresas, enquanto 27% afirmam que a desigualdade é explícita e 19% identificam diferenças mais sutis.
O estudo evidencia um teto de crescimento, especialmente na transição do nível técnico para gestão, sentido por 49% das mulheres, e na chegada à diretoria/C-Level, relatado por 20%. Prado alerta
A análise também destaca que grupos minorizados – mulheres pretas, LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência – enfrentam oportunidades ainda mais limitadas, com 62% relatando que a ascensão não é igualitária.
Além do desemprego e da desigualdade estrutural, a pesquisa evidencia autocensura e insegurança psicológica. Apenas 33% das mulheres sentem-se à vontade para se posicionar, errar ou negociar novos desafios, enquanto 45% dizem precisar de cautela e 22% sentem que o ambiente não favorece discordâncias ou erros.
