O superintendente do Patrimônio da União no DF, Roberto Policarpo, defende a interação das várias áreas do serviço público para garantia da qualidade de vida
Eu sou nordestino do Rio Grande do Norte e me identifiquei muito com o pernambucano Zé Vágner, que ganhou o maior prêmio de arquitetura do mundo, fazendo a reforma da casa da mãe dele, em Feira Nova, Zona da Mata, município conhecido como “a terra da farinha” com pouco mais de 20 mil habitantes em Pernambuco. Na casa antiga a luz elétrica tinha que ser acesa ao meio-dia e o ambiente era quente demais, A reforma foi proposta pela mãe, dona Marinalva, e o arquiteto valorizou materiais e conhecimentos da vizinhança para fazer uma casa iluminada onde o sol desenha figuras projetadas através de cobogós e o vento faz curvas refrescando tudo. O processo teve final feliz, mas não foi pura alegria. Por várias vezes houve brigas porque a mãe ficava extremamente contrariada quando o filho derrubava paredes levantadas há mais de 40 anos pela família, com tijolos de barro feitos a mão, que também foram aṕroveitados e valorizados na obra, mas era muito difícil vê-los no chão. Como é comum especialmente em residências antigas, aquelas paredes guardavam afetos de uma vida toda.

Foto: Adalberto Marques/MGI
A solução não tá só na cabeça do gestor — Conto isso lembrando da importância das identidades e da territorialidade, essenciais para a organização da sociedade. As relações das moradias com as pessoas, a qualidade de vida e a saúde sempre estiveram muito presentes na minha vida política, mas hoje com uma visão mais qualificada por conta do meu trabalho na SPU. É cada vez mais nítido que as políticas públicas de sucesso são aquelas que começam com participação direta dos que serão beneficiados. Não adianta fazer coisas que estão apenas na cabeça dos gestores, que na ponta não vão dar certo.
Equilíbrio — Convivendo mais intensamente com o tema reflito que é necessária a interação de gestores de todas as áreas do serviço público para uma visão integral dos seres humanos, para a compreensão das demandas, com atenção às fases da vida de homens e mulheres, que exigem cuidados não apenas nos momentos de dificuldades econômicas, nos momentos em que ficam doentes, mas prestando atenção nos sentimentos, como a solidão que muitas vezes adoece os velhos, e também os jovens. E isso tudo está relacionado à arquitetura e ao paisagismo, urbano e rural. Construção, clima, cultura, vivências, flores dão equilíbrio à mente e ao espírito.
SPU doa imóvel — Um exemplo dos reflexos das políticas públicas integradas é a recente doação ao GDF de um imóvel da União onde funcionava o Shopping Popular, que está paralisado desde 2017, na EPIA Norte, perto da estação ferroviária. Estive com a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), Esther Dweck, em cerimônia no local, que será revitalizado para impulsionar a economia solidária e agricultura familiar com a criação de um mercado municipal. A medida integra o programa Imóvel da Gente, da SPU, e cumpre uma determinação do presidente Lula, de repensar o uso de bens ociosos da União em favor da população. A presidente da associação do shopping popular nos recebeu com muita alegria e enfatizou que os associados esperavam por essa iniciativa há mais de dez anos.
Alegria é saúde — Essa alegria também se reflete em saúde pública. Não apenas para os beneficiários diretos, mas para toda a sociedade. Economia solidária e agricultura familiar significam comida saudável na mesa, energia para a vida, para o lazer, para o trabalho, para estudar. É um ciclo positivo. E essas interações estão muito claras em nosso governo, nas nossas administrações públicas e no nosso trabalho Legislativo.
Emendas parlamentares da saúde à diversão
Durante meu mandato na Câmara Federal, eu já pensava na necessidade de atendimento ao ser humano em suas demandas emergenciais e subjetivas. Apresentei projeto para alteração do Estatuto do Idoso estabelecendo a obrigatoriedade da adaptação de imóveis às necessidades especiais da terceira idade. O estatuto já previa que 3% dos imóveis de programas habitacionais públicos fossem destinados a idosos, mas não previa adaptações. Minha proposta foi que também 3% das construções da iniciativa privada tivessem equipamentos de adaptação.
Fui relator da Lei Geral dos Concursos, na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público na Câmara, pois os candidatos se sentiam muito inseguros em relação aos prazos para nomeações. Também nesta comissão estive na relatoria da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.
As emendas parlamentares que destinei do meu mandato demonstram essa preocupação com a integridade da pessoa humana, em suas diversas fases de vida: R$ 2 milhões para a Praça da Juventude em Samambaia, R$ 2,2 milhões para áreas verdes e urbanização no Gama, R$ 3 milhões para o Centro de Atenção Psicossocial do Guará, R$ 2,8 milhões para reforma de 29 centros e postos de saúde em diferentes regiões administrativas e construção de três UBS na Estrutural e Santa Maria, R$ 3 milhões para reforma do Abadião em Ceilândia, R$ 3 milhões para unidades de saúde em Luziânia, Valparaíso e Águas Lindas, municípios goianos no entorno de Brasília. E R$ 2,5 milhões para a construção da Feira Permanente da Estrutural, abrigando 211 bancas. (Nem todas emendas foram executadas pelo GDF)
Foto: Uma casa guarda afetos e promove bem estar com a arquitetura associada à natureza. Crédito: Cristina Avila.
