Há uns quinze dias, publiquei fotos e vídeos concernentes ao evento cultural ocorrido no CETEP de Santa Maria na terça-feira 26 de maio pela manhã.
Em dois momentos uma aluna, em ritmo de oralidade, traçou breves perfis de Osório Alves de Castro e Clodomir Santos de Morais, com uma performance admirável, diga-se de passagem.
Naquele momento, se me escapou da cachola uma coisa muito interessante que valeria a pena ter contado para os circunstantes.
Osório e Clodomir tiveram várias características em comum, a saber:
Ambos naturais de Santa Maria; Foram destacados militantes do Partido Comunista Brasileiro em São Paulo e no Pernambuco, no Sudeste e no Nordeste respectivamente; Pegaram cana no mero 1° de abril de 1964 seguida de torturas.
Isso escrito acima foi só introdução.
Vamos ao que interessa.
Iremos de literatura!
Todos sabemos, até as matrinxãs da Sambaíba, que Osório Alves de Castro foi agraciado em 1962 com o Prêmio Jabuti, pelo lançamento do seu primeiro romance, “Porto Calendário”, em 1961. [Livraria Francisco Alves – Coleção Terra Forte]
Mas, só um time reduzido de pessoas mais bem informadas tem conhecimento de que exatos 12 anos antes outro santa-mariense marcou um gol de placa na Pauliceia Desvairada.
Em 1950, ele publicou “O Amor e a Sociedade”.
Poemas líricos, ademais de outros com forte conteúdo social.
O sucesso de público e crítica, de tão sensacional, levou a Academia de Letras de São Paulo a convidá-lo pra ocupar uma cadeira, patrono Frei Francisco de Monte Alverne.
Agora, digam vocês.
Um cara de família modesta chega em Sampa pra trabalhar e estudar, e aos vinte e dois [22] anos se torna membro da mais importante instituição literária sediada na “melhor cidade da América do Sul”, como cantava Gal Costa a música de Caetano naqueles fins dos anos 60s.
Por essas e outras foi que o grande jornalista e escritor Audálio Dantas, depois de conhecer de perto Guarany, Osório, Clodomir e Jurandi, afirmou que “Santa Maria não é apenas uma cidadezinha baiana plantada à margem esquerda do Rio Corrente”.
Biblioteca Campesina, 5 junho 2026
(*) Joaquim Lisboa Neto, colunista do Jornal Brasil Popular, coordenador na Biblioteca Campesina, em Santa Maria da Vitória, Bahia; ativista político de esquerda, militante em prol da soberania nacional.


