Tesouro norte-americano acusa Teerã de usar empresas de fachada e contas bancárias estrangeiras para movimentar gás liquefeito de petróleo; governo iraniano denuncia ‘guerra híbrida’
Em meio às negociações em curso para alcançar um acordo de paz, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (05/06) que impôs novas sanções contra o Irã, atingindo setores bancário e energético do país persa. Trata-se da mais recente medida da campanha de pressão econômica de Washington contra Teerã.
O governo de Donald Trump está designando “uma rede de indivíduos, entidades e embarcações responsáveis pelo transporte de centenas de milhões de dólares em gás liquefeito de petróleo (GLP)” para usuários no Sul e Leste da Ásia, disse o comunicado publicado pelo órgão norte-americano.
Ao todo, 12 entidades foram alvos, incluindo cinco baseadas nas Ilhas Marshall, quatro nos Emirados Árabes Unidos e uma na China. O argumento apresentado por Washington é que a rede usou empresas de fachada nesses países, além de contas bancárias estrangeiras e frota clandestina para movimentar “milhões de barris de GLP” de origem iraniana, driblando sanções norte-americanas.
Seis embarcações também foram alvo, incluindo quatro petroleiros com bandeira do Panamá. Além disso, outras sanções foram impostas à casa de câmbio iraniana Mehrdad Geramian Nik and Partners Company, entre outros, sob alegação de transferência de centenas de milhões de dólares em moeda estrangeira em nome de bancos iranianos sancionados.
“O Tesouro continuará cortando a frota sombra do Irã, as redes bancárias paralelas e o acesso ao comércio global”, insistiu o secretário do Tesouro, Scott Bissent, na nota.
No dia anterior, o líder supremo Mojtaba Khamenei afirmou, no âmbito do 37º aniversário da morte do Imam Khomeini, fundador da República Islâmica, que os inimigos do país persa agora buscam enfraquecer a resiliência iraniana e criar “erros de cálculo” após sofrerem fracassos nos confrontos.
Segundo o aiatolá, as potências hostis concentraram seus esforços em uma tentativa de guerra híbrida projetada para “corroer a confiança pública e semear confusão entre as autoridades”, de acordo com a agência Tasnim.
Acrescentou que os principais objetivos dos países adversários são “espalhar dúvidas, medo, decepção, desconfiança e divisão dentro da sociedade iraniana”, mas enfatizou que tais planos podem ser derrotados por meio de vigilância, firmeza, solidariedade nacional e confiança mútua entre o povo e as instituições do país.
(*) Com Tasnim
