Oito membros não permanentes do Conselho estão trabalhando no texto, que será submetido a votação nesta segunda-feira (25/3)
O presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou a sua “firme oposição” a uma ofensiva israelense em Rafah, na fronteira da Faixa de Gaza com o Egito. Durante uma conversa pelo telefone com o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, Macron alertou que “a transferência forçada de uma população constitui um crime de guerra”.
Macron também “condenou os recentes anúncios dos israelenses sobre a construção de novos assentamentos“. Na sexta-feira (23/03), Netanyahu anunciou a apreensão de 800 hectares de terras na Cisjordânia ocupada com este objetivo.
O presidente francês também disse a Netanyahu que levaria um projeto de resolução ao Conselho de Segurança da ONU pedindo “um cessar-fogo imediato e duradouro”.
Moscou e Pequim se opuseram nesta sexta-feira a uma proposta semelhante elaborada pelos EUA. Mas a China anunciou, nesta segunda-feira (25/03), seu apoio a um novo projeto de resolução exigindo um cessar-fogo “imediato” em Gaza, apresentado por um grupo de países árabes.
“A China apoia este projeto de resolução e elogia a Argélia e outros países árabes por seu trabalho a esse respeito”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian.
Oito dos dez membros não permanentes do Conselho (Argélia, Malta, Moçambique, Guiana, Eslovênia, Serra Leoa, Suíça e Equador) estão trabalhando no texto, que será submetido a votação nesta segunda-feira.
A última versão consultada pela AFP, apoiada pelo grupo árabe, “exige um cessar-fogo humanitário imediato para o mês do Ramadã, levando a um cessar-fogo duradouro”. A ofensiva israelense em Gaza matou mais de 32.000 pessoas, segundo o Ministério da Saúde do Hamas.
O novo rascunho também condena “todos os atos terroristas”, mas não menciona os ataques do Hamas em 7 de outubro, que mataram pelo menos 1.160 pessoas, a maioria civis, de acordo com uma contagem da AFP baseada em dados oficiais israelenses.
Cessar-fogo e ajuda humanitária
“Este rascunho de texto assume uma posição clara ao exigir um cessar-fogo e estender a ajuda humanitária à Faixa de Gaza, o que está de acordo com a direção correta das ações do Conselho de Segurança”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês na segunda-feira.
“Atualmente, o conflito em Gaza está se arrastando e causando uma crise humanitária”, acrescentou. Por isso, “a comunidade internacional espera que o Conselho de Segurança desempenhe suas funções, na prática, e de forma abrangente”.
O projeto de resolução que deve ser votado nesta segunda-feira foi negociado durante todo o fim de semana com os Estados Unidos para tentar evitar outro fracasso, segundo fontes diplomáticas, que se dizem “otimistas” sobre o resultado da votação.
“Antecipamos, a não ser que ocorra qualquer reviravolta de última hora, que a resolução seja adotada e que os Estados Unidos não votem contra”, disse um diplomata à AFP no domingo.
EUA estão sob pressão
Na sexta-feira, a Rússia e a China vetaram um projeto de resolução dos EUA que enfatizava a “necessidade” de um “cessar-fogo imediato” em Gaza em conexão com as negociações para a libertação dos reféns israelenses capturados no ataque do Hamas em 7 de outubro.
Para alguns observadores, isso representa uma mudança substancial na posição de Washington, que está sob pressão para limitar seu apoio a Israel. Até agora, os Estados Unidos se opuseram sistematicamente ao termo “cessar-fogo” nas resoluções da ONU, bloqueando três textos.
O texto apresentado pelos EUA na sexta usou uma linguagem considerada ambígua por países árabes, China e Rússia, que denunciaram a “hipocrisia” dos Estados Unidos enquanto Gaza está “sendo praticamente varrida do mapa”.
O Conselho, que há anos está dividido sobre a questão israelo-palestina, só conseguiu adotar duas resoluções das oito apresentadas para obter uma trégua e garantias humanitárias. Mas após cinco meses e meio de guerra, a entrada de ajuda na Gaza continua insuficiente.
Nenhuma resolução adotada pelo Conselho ou Assembleia Geral da ONU desde 7 de outubro condenou especificamente o Hamas, uma ausência que tem sido sistematicamente criticada por Israel.