O principal deles ficou para Ibaneis, Celina e o governo que eles conduzem: os educadores e as educadoras aguentam sim, aguentam muito, e são capazes de tudo para defender sua carreira e a escola pública – preocupações que também deveriam ser do GDF.
Foram 24 dias de greve que ensinaram que a organização sindical de professores e orientadores educacionais é muito consolidada: nasceu em 1979 já com uma greve histórica. A categoria é unida, consciente de sua força e de sua legitimidade junto às comunidades escolares.
É por tudo isso que, mesmo em meio a um cenário profundamente adverso, com falas reiteradas do governador se recusando a negociar, foi possível arrancar alguns avanços que faziam parte da plataforma de reivindicações da categoria, como as nomeações, o concurso e o aumento dos percentuais de titulação – vale lembrar que especialistas, mestres e doutores configuram a ampla maioria do magistério público do DF.
Para nós, lutadores e lutadoras da educação, fica um aprendizado importante, que pode ser lido, também, como aviso: cada vez mais, os donos do poder buscarão incidir no nosso movimento, visando a dividir a categoria e a desconstruir seus instrumentos de luta – como o sindicato.
Vamos lembrar uma história recente. As manifestações de 2013, bem como o golpe contra Dilma em 2016, tinham a mesma raiz: o ataque às instituições e o questionamento violento do fazer política. A consequência mais visível dessas movimentações foi a ascensão da extrema direita à presidência, através de um personagem que, mesmo tendo sido deputado federal por quase 30 anos, e tendo colocado seus filhos nas diversas casas parlamentares, era visto como “antissistema”.
O resultado, todos conhecemos.
A desmoralização da luta política da classe trabalhadora e de suas entidades historicamente construídas não tem como dar bom resultado. E o que observamos na assembleia dos professores dia 25 de junho é um exemplo triste desse perigo que nos ronda cotidianamente.
A truculência de alguns poucos, que também observamos na assembleia, compromete o processo realizado e traz prejuízos ao futuro que, com tanta dedicação e compromisso, nos dedicamos a construir. É inaceitável que, entre nós, haja aqueles que atiram objetos contra seus pares, que agridam com gritos, ofensas, intimidação e até violência física. A truculência é uma arma do fascismo, e deve ser exterminada dos nossos espaços coletivos.
Ao longo das diversas greves e demais processos de mobilização, sempre houve e haverá divergências de menor ou de maior grau. Isso é positivo e saudável, pois a síntese tem imenso potencial de produzir novas ideias, perspectivas, elaborações. É natural, também, que haja frustração diante dos resultados, pois sempre esperamos mais e lutamos para isso. Mas não é, absolutamente, normal nem admissível que a frustração desemboque em ações violentas de nenhuma natureza.
Independentemente de se identificar ou de aprovar a atual direção, o Sinpro é uma entidade de muita história, fundamental para as vitórias conquistadas e também para as que virão. Proferir ataques que buscam deslegitimar a entidade é irresponsabilidade ou é má fé.
Embora tais ataques representem um grande empecilho para as lutas importantes a serem encaminhadas na atualidade, eles não paralisarão o Sinpro, que seguirá cumprindo sua missão de defesa intransigente da valorização da categoria e da educação pública no DF e no Brasil.
(*) Rosilene Corrêa, professora aposentada da rede pública de ensino do Distrito Federal e diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e vice-presidenta do PT-DF.
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