É isso, do oeste baiano ao matopiba, chagamos ao baixio de Irecê. Investimento público iniciais na ordem de 1 bilhão de reais, na parte de infra estrutura, principalmente hídrica, nessa nova frente do agro patronal, empresarial, reflexo de prioridades estabelecidas no planejamento estratégico do universo da macro política que guia o núcleo central dos governos do Brasil nos últimos anos com esse tipo de projeto. Mas se a reforma agrária e agrícola é determinante, mesmo que para o capitalismo, porque essa opção pela concentração de investimento no seguimento mais reacionário e dispendioso do Brasil? Que força é essa?
Falam em 60.000 empregos gerados como grande ganho, ótimo, vou então fazer as contas. Se esse valor fosse dividido em “pequenos” projetos de R$ 500.000,00 no universo da economia de base familiar, popular e solidária, teríamos então 2.000 projetos de investimento, que, mantendo-se a lógica de viabilidade econômica, de geração de emprego nos levaria então ao compromisso de gerar 30 empregos por cada projeto. Alguém tem dúvida que teríamos essa capacidade?
Mas não vou ficar só no quantitativo de empregos, vou entrar no qualitativo desses empregos, ou melhor, estabelecer uma diferença estratégica. No caso do agro patronal são empregos, salários, no caso da economia de base familiar popular e solidária é renda. Qual a diferença? No agro empresarial está a expropriação do resultado social do trabalho e no outro a apropriação direta do resultado do trabalho. Mas vou aprofundar esse fosso, o resultado financeiro gerado no processo produtivo de um será direcionado aos grandes centros financeiros de onde são oriundos os investidores, o outro fica no território e cria um ciclo virtuoso de melhoria geral da qualidade de vida. O que realmente está em questão? O modelo de desenvolvimento, o projeto de sociedade.
Para finalizar quero estabelecer uma outra diferença que considero fundamental. Um vem e tira tudo, inclusive a cobertura natural, o outro aproveita a cobertura natural como aliada e base do processo produtivo. Mas parece que na esfera da macro economia estatal não se coloca na conta de análise de viabilidade o custo social e ambiental dos projetos em disputa. Agora, como colocado acima, quero desafiar a fazerem a conta econômica de viabilidade considerando dois aspectos: Inclusão e apropriação. Inclusão dos territórios e da sua gente no planejamento e a locação dos resultados advindos dos investimentos públicos.
Delso Oliveira Andrade
Janeiro 2026
