O Jornal Brasil Popular lamenta profundamente o falecimento de Jairo Santos Silva Carneiro, ocorrido nesta terça-feira, aos 76 anos. Metalúrgico, dirigente sindical e referência histórica do movimento dos trabalhadores no Rio Grande do Sul, Jairo construiu uma trajetória marcada pela coerência, pela solidariedade e pelo compromisso inabalável com a classe trabalhadora.
Nascido em 31 de outubro de 1949, em Torres, filho de metalúrgico, Jairo iniciou cedo sua militância nos movimentos populares, com atuação destacada na Juventude Operária Católica (JOC), onde foi dirigente nacional entre 1971 e 1974. Durante a ditadura militar, foi perseguido político por sua atuação firme ao lado dos trabalhadores — uma marca que o acompanharia por toda a vida: nunca recuar diante das injustiças.
Trabalhador da Koch Metalúrgica, em Cachoeirinha, tornou-se uma das principais lideranças do sindicalismo gaúcho. Presidiu o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos da Grande Porto Alegre (STIMEPA) entre 1989 e 1994, foi presidente da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul de 1992 a 1997 e dirigiu a Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do Rio Grande do Sul de 2012 a 2018, além de integrar a Executiva Nacional da Central Única dos Trabalhadores.
Mas mais do que os cargos que ocupou, Jairo será lembrado pela postura e pela visão estratégica de ampliar o papel do sindicato na vida da classe trabalhadora. Foi um dos defensores e construtores do chamado “Sindicato Cidadão”, compreendendo que a luta não se limita a salários e condições de trabalho. Para ele, saúde, educação, habitação, cultura e lazer eram direitos fundamentais e inseparáveis da dignidade da classe trabalhadora.
Outra frente marcante de sua trajetória foi a defesa do cooperativismo e da autogestão como caminhos concretos de emancipação econômica, social e política do povo. Jairo acreditava na organização coletiva como ferramenta de transformação estrutural da sociedade, incentivando iniciativas que fortalecessem a autonomia dos trabalhadores.
Também foi um lutador incansável em defesa das rádios e TVs comunitárias, reconhecendo a força da comunicação popular como instrumento de consciência crítica, organização e democratização da informação. Sabia que disputar narrativas é parte essencial da luta social.
Sua liderança era feita de presença, escuta e ação concreta. Nos momentos mais duros, era ele quem estendia a mão. Nos embates mais difíceis, era ele quem chamava à organização. Sua trajetória foi guiada pela solidariedade ativa e pela convicção de que a luta coletiva é o caminho para transformar a realidade.
Mesmo enfrentando problemas de saúde nos últimos anos, manteve-se politicamente ativo, reafirmando até o fim sua crença na organização popular e na justiça social.
Jairo deixa filhos, netos, companheira, amigos e uma geração inteira de militantes que aprenderam com ele que sindicalismo se faz com coragem, compromisso e humanidade.
Sua memória seguirá viva nas lutas dos trabalhadores, nas assembleias, nas fábricas, nas comunidades e na história do movimento sindical gaúcho e brasileiro.
Jairo Presente! Hoje e sempre.
Edição e publicação: Cielitor/Jornal Brasil Popular/RS
