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Enquanto a Amazônia arde e o mundo grita por energias limpas, o Brasil segue dobrando a aposta no petróleo. Nesta terça-feira (17), a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) promove o 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, com 17 blocos marítimos da Bacia Potiguar entrando na rodada de leilão. E não são blocos quaisquer: um deles fica a 398 km de Fernando de Noronha — o suficiente pra acender o alerta vermelho.
O petróleo pode até jorrar, mas o risco também
A perfuração de poços pela Petrobras na região já indicou presença de petróleo em águas profundas — inclusive no poço Anhangá, a 2.196 metros de profundidade e a 79 km da costa potiguar. Outra tentativa, o poço Pitu Oeste, encontrou hidrocarboneto, mas sem confirmação de viabilidade econômica. Até aí, nada demais, certo? Errado.
Se der ruim (e o histórico da indústria não é exatamente à prova de falhas), o óleo pode chegar a Noronha em questão de horas, segundo estudos do ICMBio. E aí, meu amigo, não tem marketing verde que limpe essa mancha.
“Novo pré-sal” ou nova tragédia anunciada?
A tal da Margem Equatorial, onde se encaixa a Bacia Potiguar, vai do Rio Grande do Norte até o Amapá e inclui áreas extremamente sensíveis, como as bacias da Foz do Amazonas e Pará-Maranhão. A ANP chama isso de “nova fronteira” exploratória. Os ambientalistas preferem chamar de bomba-relógio ambiental.
E o RN no meio disso tudo?
A Petrobras, que havia abandonado os poços terrestres no Rio Grande do Norte em 2023, voltou com sede renovada: reabriu a sede, anunciou um centro de energia renovável em Natal (só pra ficar bonito na fita) e voltou a investir pesado no offshore. Em abril e janeiro de 2024, novas descobertas reacenderam o interesse na região — e também as preocupações com o impacto ambiental em zonas costeiras e ecossistemas frágeis.
Resumo da ópera (petrolífera):
- 17 blocos da Bacia Potiguar vão a leilão nesta terça (17)
- Um deles está a menos de 400 km de Fernando de Noronha
- Descobertas recentes indicam petróleo, mas não garantem segurança
- Ambientalistas alertam para riscos reais de desastre ecológico
- Margem Equatorial é a nova queridinha do setor petrolífero – e pesadelo do ambiental
É isso: enquanto o mundo debate transição energética, o Brasil enfia a broca no mar. Como sempre, entre o lucro imediato e o futuro sustentável, a balança pende pra onde jorra petróleo. Só resta saber se a conta, quando vier, será paga com royalties ou com tragédia.
