A Baía da Traição, no litoral norte da Paraíba, vive uma situação crítica devido ao avanço do mar, que tem destruído casas, falésias e até ruas, gerando preocupação entre moradores, turistas e a comunidade indígena Potiguara. Nos últimos cinco anos, o mar já avançou cerca de 30 metros em alguns pontos, agravando os impactos causados pela erosão costeira. Esse fenômeno está ligado ao aumento do nível do mar, consequência do aquecimento global, além da falta de um planejamento urbano adequado.
O líder indígena Tuxaua Natan alertou que, se nenhuma medida for tomada, algumas aldeias podem acabar completamente isoladas, o que coloca em risco a população indígena da região. A chegada das marés altas previstas para os próximos meses pode agravar ainda mais a situação.
O avanço do mar também coloca em risco a infraestrutura local, incluindo o posto da Fundação Nacional do Índio (Funai), um dos mais antigos do Nordeste, que também está sob ameaça. Segundo o professor de Geociências, Saulo Vital, a erosão costeira é causada por uma combinação de fatores: o aquecimento global, que eleva o nível dos oceanos, e a ocupação desordenada das faixas de praia, que força a natureza a retomar o espaço perdido.
Como resposta, o governo estadual lançou o Projeto Praiamar, que conta com a colaboração de universidades e institutos de pesquisa. O projeto visa estudar o problema e propor soluções para a erosão costeira em áreas afetadas, como a Baía da Traição. A duração inicial do estudo é de 18 meses, mas intervenções emergenciais, como a construção de barreiras de contenção, estão sendo avaliadas e dependem da aprovação de um comitê científico e da consulta ao Ministério Público Federal.
Enquanto aguardam por soluções definitivas, os moradores e lideranças locais apelam por ajuda das autoridades municipais, estaduais e federais. O prefeito da cidade já decretou estado de calamidade pública e busca apoio da Assembleia Legislativa e de deputados federais, na esperança de que medidas urgentes sejam tomadas antes da chegada das marés de janeiro e fevereiro, que podem trazer ainda mais destruição
(*) Estagiário
