País registra 59 bloqueios de estradas em seis regiões, incluindo La Paz; plano do governo de reabrir por meio de operação envolvendo Exército e polícia fracassou pela segunda vez
A Bolívia completa nesta segunda-feira (25/05) a quarta semana de protestos, exigindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz Pereira. Ao longo do dia, uma mobilização massiva de diversos setores sociais tomou conta do Paseo del Prado, no centro de La Paz.
Colunas de agricultores da zona sul de La Paz, moradores da cidade de El Alto, mineiros, associações de bairro e representantes de diversos sindicatos expressaram em massa sua rejeição ao governo e ao seu plano de privatização. Simultaneamente à manifestação principal, um grupo de manifestantes foi reprimido pela polícia ao tentar entrar na Praça Murillo.
As manifestações marcaram a quarta semana de mobilizações convocadas pela Central Operária Boliviana, em paralelo com mais de 50 bloqueios de estradas em seis regiões do país.
Durante o dia, também houve bloqueios de ruas em La Paz devido à escassez de combustível, enquanto um grupo de manifestantes impedia a entrada e saída de passageiros e encomendas nos portões do Aeroporto Internacional de El Alto.
A resistência do povo aimará das terras altas, na rota de La Paz a Oruro, impediu que as forças conjuntas e um ministro de Estado encarregado da operação implementassem a medida de abertura de estradas, obrigando-os a retirar-se da área por estradas de terra alternativas.
MARCHAS CONTRA EL GOBIERNO en La Paz, a 22 días de la huelga declarada por la Central Obrera. Exigen la renuncia del Presidente. @teleSURtv pic.twitter.com/AWp7WwlVZ7
— Freddy Morales (@FreddyteleSUR) May 25, 2026
Durante essa operação, um agricultor de 24 anos morreu, um evento que enfureceu e provocou agitação entre as populações rurais.
A Central Operária Boliviana abriu a possibilidade de diálogo com o Governo sob duas condições: a libertação dos detidos nos confrontos dos últimos dias e a suspensão do mandado de prisão contra o dirigente da organização, Mario Argollo, e outros líderes sindicais.
O governo não respondeu a essa proposta de diálogo. Anteriormente, o presidente Rodrigo Paz afirmou que aqueles que bloqueiam estradas devem se submeter à Constituição e ao sistema judiciário.
Entretanto, a Administração Rodoviária Boliviana relatou 59 bloqueios de estradas em seis das nove regiões do país, após uma segunda operação policial e militar para desobstruir a principal rodovia entre La Paz e Oruro ter fracassado no sábado.
Em cumprimento a uma resolução de ação popular emitida pela Segunda Câmara Constitucional de La Paz, a organização sindical instruiu estritamente todos os seus membros a agirem segundo critérios humanitários.
A instrução específica exige garantir, em todos os pontos de bloqueio, a passagem imediata e irrestrita de ambulâncias, veículos de emergência, pessoal de saúde e transporte de medicamentos, a fim de proteger as pessoas em situação de vulnerabilidade.
O mapa oficial situou os protestos em La Paz, Oruro, Potosí, Chuquisaca, Cochabamba e Santa Cruz, enquanto Beni, Pando e Tarija permaneceram sem bloqueios nas estradas.
A operação governamental fracassada, denominada Corredor Humanitário com Bandeiras Brancas, tentou abrir a passagem entre La Paz e Oruro utilizando tratores, policiais e militares, que usaram gás lacrimogêneo contra a resistência dos manifestantes, os quais reinstalaram os obstáculos com terra, pedras e troncos após a passagem da caravana.
