Nesta terça (17), o Parque do Povo não será só palco de forró e fogueira. Vai ser também passarela de talento popular. Foto: Divulgação/PMCG
No coração do Maior São João do Mundo, em Campina Grande, quem brilha agora não é só o sanfoneiro nem o casal de quadrilha. É o artesão. É a rendeira. É quem cria com as mãos o que nenhuma máquina reproduz. O desfile do projeto “Campina Feita à Mão” acontece na pirâmide do Parque do Povo, a partir das 19h, com entrada gratuita. É cultura de raiz vestida com dignidade e ousadia.
Artesanato como luxo legítimo
Nada de grife francesa. O que entra em cena são 50 criações únicas de mais de 20 artesãos locais, usando técnicas que são verdadeiros tesouros culturais da Paraíba: macramê, bordado, crochê e renda renascença. Peças que carregam memória, suor, tradição e beleza – feitas à unha, com o tempo da alma, e não com o ritmo da indústria.
Em vez de fast fashion, arte lenta e com afeto. Em vez de etiqueta famosa, assinatura de quem aprendeu com a vó, com a vizinha, com a vida.
Desfile com corpo, dança e identidade
O evento não para na passarela. Vai ter também apresentação de balé, com figurinos criados especialmente dentro do projeto. Segundo Paulo Victor, estilista e diretor criativo do projeto, o desfile é uma celebração da colaboração e da identidade nordestina. E, convenhamos, num mundo que insiste em pasteurizar tudo, isso já é um ato político.
Campina mostra que cultura se veste
No meio do São João, entre bandeirolas e milho assado, Campina Grande prova que cultura não é só pra dançar — é pra desfilar também. É pra usar no corpo. É pra sentir orgulho. É pra mostrar que o artesanato é arte, é economia, é resistência.
E mais: é luxo sim — porque o verdadeiro luxo é o que não tem cópia.
