Belém (PA) – Com a COP 30 batendo à porta, o governo federal anunciou, nesta quarta-feira (30), investimentos emergenciais em saúde pública na capital paraense. Em visita a Belém, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou de um mutirão de cirurgias e prometeu acelerar atendimentos e fortalecer a rede básica. Mas, por enquanto, não divulgou valores específicos para além dos R$ 35 milhões voltados ao mutirão.
A movimentação ocorre em meio a críticas e cobranças da população e de órgãos como o Ministério Público do Pará e a Defensoria Pública da União, que apontam o fechamento temporário do PSM da 14 – uma das principais unidades de urgência da cidade – durante a conferência.
“Queremos reduzir o tempo de espera para cirurgias, consultas e exames”, disse Padilha, ao visitar postos de saúde e canteiros de obras em andamento. Mas para quem está na fila há meses, a promessa soa como ensaio de discurso bonito pra gringo ouvir.
Maquiagem para turista ver?
A COP 30, marcada para 2025 em Belém, deve reunir milhares de representantes do mundo inteiro para debater o futuro climático do planeta. E enquanto os olhos do mundo se voltam para a Amazônia, o governo federal tenta mostrar serviço – mas sem garantir que a população local, que já convive com filas imensas e unidades sucateadas, será a verdadeira beneficiada.
O mutirão anunciado inclui R$ 35 milhões para cirurgias de quem aguarda há meses. Mas o valor não cobre o rombo estrutural da saúde pública em Belém, que enfrenta falta de profissionais, equipamentos e manutenção há anos.
Saúde e clima: dois pesos, duas urgências
Padilha também afirmou que a COP será marco para a criação de um plano internacional de saúde climática, envolvendo diversos países. Segundo ele, é preciso adaptar os sistemas de saúde às mudanças provocadas pela crise climática.
Mas para os moradores de Belém, o debate global sobre clima só terá sentido se significar, de fato, melhoria de vida aqui e agora – não só para os visitantes internacionais da conferência, mas para quem depende diariamente do SUS na Amazônia.
“Vivemos um momento que não é só de urgência, mas de transformação”, declarou Padilha. A frase é boa. Mas o povo quer saber: vai ter saúde de verdade ou só discurso bonito com ar-condicionado?
