Mesmo pagando salários mais elevados, as Indústrias extrativas sofreram redução no salário médio, de 6,1 s.m. em 2011 para 4,6 s.m. em 2020. Nas Indústrias de transformação, o salário médio caiu de 3,5 s.m. em 2011 para 2,9 s.m. em 2020.
As empresas geraram R$ 4,0 trilhões de receita líquida de vendas (R$ 274,6 bilhões na indústria extrativa e R$ 3,7 trilhões na indústria de transformação) em 2020. Já a participação da fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias na receita líquida da indústria (7,1%) caiu 4,9 pontos percentuais em 2020. Com isso, o ramo caiu da segunda para a quarta posição no ranking.
“O comportamento do setor automobilístico está relacionado ao fato de que outros setores cresceram mais, além da própria redução do setor. É uma atividade que já vem enfrentando crises sucessivas com motivações diferentes desde 2009”, explica a gerente de Análise Estrutural do IBGE, Synthia Santana.
“Em 2011, tinha uma participação de 12%, mas foi tendo reduções, especialmente no biênio 2015/2016 em que chegou a 8,2 e 8,1%, até cair ao ponto mais baixo da série para 7,1% em 2020”, arremata a pesquisadora.
Como causa principal do recuo geral da indústria na última década, Synthia resume: “Foi uma sucessão de crises”. A começar pela recessão de 2015 e de 2016, que desacelerou a economia nos anos seguintes. “Vimos uma tendência de redução do número de empresas desde 2014, início da crise”, prossegue a pesquisadora.
Aquele também foi o ano do início da operação Lava Jato, que fez o Brasil perder R$ 172,2 bilhões em investimentos e 4,4 milhões de empregos, conforme pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Em 2015, os derrotados no ano anterior reforçaram a depauperação econômica com as pautas-bomba e outras ações de sabotagem oriundas do Congresso Nacional. As medidas do usurpador Michel Temer e o completo descaso de Bolsonaro/Guedes com a indústria completaram o serviço.
Lula: “Não existe política de desenvolvimento, o que existe é política de venda”
O abandono de bem-sucedidas políticas organizadoras da atividade produtiva dos governos petistas afugentou investidores e afundou a indústria nacional em um atoleiro. Gigantes multinacionais do setor se despediram do Brasil nos últimos três anos.
