ENTREVISTA COM CÂNDIDO BRASIL
Estância da Poesia Crioula
Rua Duque de Caxias, n° 1525, Sala 49D, Térreo, Centro Histórico.
Tem facebook – https://web.facebook.com/EstanciaPoesiaCrioula
Instagram – https://www.instagram.com/estancia.da.poesia.crioula/
A Estância da Poesia Crioula foi fundada no dia 29 de junho de 1957. Seu primeiro presidente o poeta Hugo Ramirez.
Vamos dar a palavra para Cândido Brasil.
P – Poderia nos dizer o que levou à fundação desta entidade e quem estava na linha de frente dela?
R – A Estância da Poesia Crioula foi fundada em 29 de junho de 1957, na Associação Rio-Grandense de Imprensa, durante o 1º Congresso de Poetas Crioulos, idealizado por Hugo Ramírez e que reuniu as maiores expressões da literatura regional da época, num total de 88 membros fundadores. O objetivo do encontro era congregar poetas e prosadores voltados à temática gauchesca, a fim de pesquisar, manter e promover tudo o que se relacionasse com a arte poética gaúcha nas suas diversas formas de manifestações.
P – Completando 68 anos, o que temos como seus principais legados?
R – Neste mais de meio século de existência a Estância da Poesia Crioula tem cumprido com louvor seus princípios e objetivos, marcando presença em inúmeros eventos, através de representações e delegações, desde 1958, onde participou do 1º Congresso Internacional de Tradicionalismo, com delegações de gaúchos da Argentina, do Uruguai e do Brasil, cada nação vendo eleito um representante seu para o triunvirato de presidentes do conclave cultural. Ali coube ao Poeta Hugo Ramírez, Presidente da EPC ser eleito o presidente brasileiro no referido Congresso Tradicionalista.
Desde então passou a colaborar com palestrantes e jurados de certames literários e festivais de poesia e música nativista, desde os Rodeios da Vacaria até a Califórnia da Canção Nativa, entre outros. Participou dos Congressos Tradicionalistas do MTG, da Semana do Livro, das Feiras do Livro de Porto Alegre. Mantém uma enriquecedora cooperação com a Academia Rio-Grandense de Letras e entidades coirmãs como Academia Feminina de Letras, Instituto Cultural Português, União Brasileira de Trovadores, Casas do Poeta e Centros de Tradições Gaúchas. Tem publicados Anais de Congressos, Antologias em prosa e verso, com produções de seus associados. Em 2007 promoveu a 1ª Feira e 6ª Mostra do Livro Regionalista, dentro das comemorações da Semana Farroupilha, no Acampamento Farroupilha, no Parque da Harmonia, com apoio do IGTF, MTG e Fundação Cultural Gaúcha.
Em 2014 organizou a 1ª Expoesia Crioula – Exposição de poemas de 45 associados que foram retratados em telas de pintura, sob a curadoria da artista visual Dilva Camargo. Em 2014 participou, na Argentina, e em 2015 em Santa Maria, das respectivas edições do Encontro de Escritores do Mercosul, Congresso Internacional de Educação Intercultural e Literatura; e do Encontro de Produtores Culturais do Mercosul, em convenções literárias com autores dos países da América do Sul, organizado pelo CILAM – Centro de Integração Latino-Americano em parceria com virtuosas agremiações coirmãs. No ano de 2021 realizou de maneira virtual o festival poético 1ª Estância da Poesia Crioula, que teve espetacular aceitação, contando com a participação de poetas e intérpretes do Rio Grande do Sul e vários estados do país, sendo visualizado remotamente em várias partes do globo terrestre.
Seu ano cultural é marcado pela realização do seu já consagrado Sarau Feminino, no mês de março, com a participação de mulheres associadas e convidadas, que realizam admiráveis apresentações poéticas e musicais. Por sua significativa atuação cultural, a entidade tem conquistado reconhecimento da sociedade gaúcha e brasileira, desde a sua fundação, através de moções, certificações e premiações recebidas de importantes instituições políticas na esfera municipal, estadual e federal, e valorosas entidades da seara literária nacional.
P – Qual a sua função na EPC?
R – Atualmente estou presidente, em minha quarta gestão. Fui presidente de 2010 a 2012, de 2012 a 2014, de 2022 a 2024 e agora, de 2024 a 2026.
P – Quais foram as principais atividades da sua gestão? Teve muita coisa em torno de Jayme Caetano Braun, não foi?
R – Desde que assumi a presidência pela primeira vez, procurei agregar valores ao quadro social, a fim de fortalecer suas colunas. Como de tempos em tempos, conforme a gestão, a entidade promoveu concursos literários de temáticas diversas como contos, sonetos, pesquisa histórica, trova e de poesia com temas específicos, procurei junto com meus pares da diretoria, realizar todos os certames, no primeiro e segundo semestre de cada ano, e criei dois concursos específicos, de Causos Aparício Silva Rillo e de Poesia Gauchesca Jayme Caetano Braun. Na gestão de 2012, em Rodeio no Galpão do Palácio Piratini, lançamos a Medalha Vargas Neto, a maior honraria da instituição. Procuramos dar continuidade a interiorização da Estância, iniciada pelas gestões anteriores, com a realização do nosso tradicional Rodeio de Poetas em Santa Maria e São Luiz Gonzaga. Algo muito importante também foi a aquisição, em 13 de dezembro de 2023, do Termo de Posse da Sesmaria do Infinito, que é um local no Parque da Harmonia, onde estamos desde 1985 e que nos é muito caro, pois é um memorial de espiritualidade marcante, onde realizamos anualmente a “Romaria da Saudade”, dedicada aos poetas que partiram. O espaço é composto de uma Cerca de Varejão e da Pedra da Memória, um monolito de sete toneladas que ornamenta o local. Além disso, organizamos a edição de antologias com trabalhos dos associados.
Com relação a Jayme Caetano Braun, a Estância da Poesia Crioula apresentou ao MTG, a proposição de 2024 fosse reconhecido como o Ano do centenário do Payador, o que se constituiu através da Lei nº 16.064, de 13 de novembro de 2023, de autoria do deputado Eduardo Loureiro e concretizou com o Decreto nº 57.354, de 8 de dezembro de 2023, assinado pelo governador do estado. Depois organizamos o livro relativo ao Centenário de Jayme Caetano Braun, com pesquisa biográfica o escultor Vinicius Ribeiro.
P – Quais a atividades previstas para o próximo período?
R – A atividade principal da estância anualmente é a realização do seu Rodeio de Poetas, que neste ano será realizado dia 05 de julho na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, com grande programação cultural e dia 06 de julho na Sesmaria do Infinito e encerramento no Espaço Cultural da Rede Pampa no Parque da Harmonia. Depois teremos muitas novidades que serão apresentadas através do nosso Setor de Projetos, criado para criar planos e buscar incentivos nas atuais leis de apoio a cultura.
P – Vocês têm editado muitos livros?
R – Eu tenho quatro livros solo: “Tropilha de Sonhos”, de 1996; “Nativo”, de 2009; “Da Cepa Crioula”, de 2012 e “Telúrico”, de 2023 todos esses de poemas nativistas. Em 2023 também lancei “Filho da Luta”, de Poesia social. Estou preparando um livro de sonetos e outro de poesia com temas universais. Também há mais de uma década eu pesquiso sobre Jayme Caetano Braun, buscando informações fidedignas sobre o payador e espero concluir alguns depoimentos fundamentais que são necessários para lançar essa obra.
P – O que mais gostaria de acrescentar?
R – Gostaria de agradecer a oportunidade e parabenizar pelo seu trabalho voluntário e valoroso, de apoio a cultura, em especial a literatura em todas as formas, dando voz aos autores, divulgando suas obras e promovendo encontros literários que ajudam a manter constantemente acesa a chama do conhecimento.
Cândido Brasil Autor natural de Porto Alegre, RS, é funcionário público. Possui quatro livros autorais de poesia regional gaúcha, um de poesia social e participação em mais de trinta publicações de renomadas instituições literárias. É detentor de diversas premiações conquistadas em festivais de poesia gaúcha. Facebook: Cândido Brasil @candidobrasil Email: moc.liamgobfsctd-2a312b@92lisarb.odidnac
