No dia 8 de março de 1857, operárias de uma indústria têxtil de Nova York entraram em greve, reivindicando redução da jornada de trabalho e equiparação salarial com os homens.
Foram violentamente reprimidas e 129 delas morreram queimadas nas fábricas. A partir desse acontecimento, o dia 8 de março vem sendo dedicado à mulher. Em 1975 foi oficializado pela ONU como “Dia Internacional da Mulher”.

No Brasil, até fins de 1962, a situação jurídica da mulher equiparava-se à dos indígenas e dos incapazes. Nada podia fazer sem o consentimento do marido; não podia: contrair dívidas, assinar documentos de compromisso, exercer uma profissão. Ainda que tivesse formação universitária, e fosse médica, advogada, engenheira, só podia medicar, advogar, construir ou edificar com o consentimento escrito do marido.
Estabelecer-se comercialmente, comprar, vender, emprestar ou tomar emprestado, viver, enfim, só com o consentimento do marido.
[fonte: EDIPE, páginas 2302-03]

Hoje em dia, a mulher enfrenta uma dose menor de discriminação, principalmente graças à sua luta e organização.
Para a mulher conquistar maior espaço na sociedade, é fundamental que se questione e se altere o papel de algumas instituições, tais como a escola, a família, a igreja, pois elas têm servido mais para inculcar o machismo nas pessoas do que para combatê-lo.
Os livros didáticos, por exemplo, quase sempre trazem ilustrações com a clássica cena do marido lendo jornal e a mulher lavando louça. Quer dizer, desde os primeiros anos de escola a criança passa a encarar estes dois papéis tradicionais como uma coisa normal e inquestionável: o pai é o que se dedica aos trabalhos intelectuais e a mãe é a que deve executar religiosamente a sua função de “rainha do lar”. [leia-se: escrava do lar]

Isto para não falar da discriminação e exploração sexual, no mercado de trabalho, na política…
As conquistas, no entanto, vão sendo concretizadas pouco a pouco. As mulheres já descobriram, inclusive, que o seu raio de ação na sociedade adquirirá maior amplitude na medida em que façam os homens entenderem que a libertação delas influirá decisivamente na construção de um mundo onde prevaleça a harmonia entre os dois sexos.
O dia 8 de março é, dessa maneira, uma data importantíssima para a Humanidade.

É preciso, ademais, que as organizações populares, as pessoas e os meios de comunicação deem a merecida divulgação ao Dia Internacional da Mulher.
Finalizando, há muito a se lamentar que o Brasil ocupe um lugar tão vergonhoso no ranking do feminicídio em nível mundial: é o 5º [quinto!], depois de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia.

Biblioteca Campesina 8 março 2026.
[o texto acima foi publicado originalmente no jornal O POSSEIRO, nº 73, março 1990] (Clique para acessar o jornal na íntegra)
(*) Joaquim Lisboa Neto, colunista do Jornal Brasil Popular, coordenador na Biblioteca Campesina, em Santa Maria da Vitória, Bahia; ativista político de esquerda, militante em prol da soberania nacional.
