A fala do ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo do Estado de São Paulo, Fernando Haddad, em entrevista à TVT, na sexta-feira (20/3), recoloca no centro do debate uma questão essencial: a economia não pode ser tratada como algo distante da vida das pessoas. Quando se fala em crescimento, ajuste fiscal ou arrecadação, o que está em jogo, na prática, é o dia a dia do povo brasileiro.
O ponto central da entrevista é simples, mas poderoso: não existe política econômica neutra. Toda decisão impacta diretamente em quem trabalha, em quem consome, em quem paga imposto e em quem depende do Estado para viver com dignidade. Nesse sentido, o desafio do Brasil não é apenas equilibrar contas — é fazer isso sem aprofundar desigualdades.
A fala de Haddad aponta para uma disputa de projetos. De um lado, uma visão que prioriza o mercado acima de tudo, que trata o Estado nacional como um balcão de negócio para enriquecimento de uma minoria e que estar a serviço da classe trabalhadora é um problema. De outro, a compreensão de que o Estado é o instrumento de controle e gestão do mercado e tem papel fundamental na organização da economia, na redução das desigualdades e na promoção de oportunidades.
Essa não é uma discussão abstrata. Ela aparece no preço dos alimentos, no custo do combustível, no acesso ao crédito, no financiamento de políticas públicas. Quando a economia cresce sem distribuição, cresce para poucos. Quando há políticas que buscam equilíbrio social, o crescimento pode alcançar muitos.
Outro aspecto importante da entrevista é o enfrentamento à desinformação. Em um cenário marcado por notícias falsas e distorções, o debate econômico se torna ainda mais confuso. E isso não é por acaso. A desinformação cumpre um papel político: impede que a população compreenda o que está em jogo e, portanto, dificulta a participação consciente nas decisões do país.
Por isso, esclarecer, dialogar e traduzir a economia para a linguagem do povo não é apenas comunicação — é parte da disputa democrática. Um povo que entende o que acontece com o orçamento público e com a política econômica tem mais condições de defender seus próprios interesses.
O Brasil vive um momento decisivo. Entre pressões internas e externas, entre interesses do mercado e necessidades sociais, o país precisa escolher qual caminho seguir. Ajustar as contas é necessário, mas não pode significar sacrificar quem sempre paga a conta.
A economia só faz sentido quando melhora a vida das pessoas.
E esse é o critério que deve orientar qualquer política pública: menos números frios, mais compromisso com a realidade do povo brasileiro.
Entrevista de Fernando Haddad à TVT (short)
