Por Redação do Jornal Brasil Popular. Imagem retirada do site da prefeitura de Rio Grande/RS.
Rio Grande (RS) – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, esteve em Rio Grande na tarde desta terça-feira (20) para assinar uma série de contratos estratégicos que marcam a retomada concreta da indústria naval brasileira e fortalecem o papel do município como polo logístico e industrial do país. Os acordos envolvem a Petrobras, a Transpetro, o estaleiro Ecovix e diferentes órgãos federais, com investimentos que ultrapassam R$ 4 bilhões e potencial de geração de mais de 9 mil empregos diretos e indiretos.
O principal destaque é a contratação da construção de cinco navios gaseiros, além de quatro navios do tipo Handymax, dentro do Programa Mar Aberto, iniciativa voltada à renovação e ampliação da frota do sistema Petrobras. Os navios gaseiros serão construídos no Estaleiro Rio Grande, após licitação internacional vencida pela Ecovix, e terão como foco o transporte de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e derivados.
Ao todo, três embarcações terão capacidade de 7 mil metros cúbicos, enquanto duas comportarão até 14 mil metros cúbicos, com investimento estimado em R$ 2,2 bilhões apenas nessa etapa. Segundo o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, as novas embarcações acompanham o crescimento da produção da Petrobras e ampliam a capacidade de distribuição de GLP ao longo da costa brasileira.
Durante o evento, Lula destacou a importância estratégica da retomada da indústria naval. “Estamos dando mais um passo importante na reconstrução da indústria naval brasileira, especialmente aqui em Rio Grande. Ver essa estrutura novamente gerando empregos e desenvolvimento é motivo de muita alegria”, afirmou o presidente.
A prefeita de Rio Grande, Darlene Pereira, também ressaltou o impacto direto para o município. “Há menos de um ano o presidente esteve aqui para anunciar quatro navios. Naquela ocasião, pedimos a ampliação da indústria naval. Hoje ele retorna anunciando mais cinco navios gaseiros. Isso é entrega concreta, é geração de emprego e renda para a cidade”, declarou.
Emprego, qualificação e futuro
De acordo com a Ecovix, a expectativa é de abertura de até 4 mil vagas de emprego entre março deste ano e 2027, envolvendo diferentes níveis de qualificação. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reforçou a importância da formação profissional para atender à demanda crescente.
“As novas construções vão exigir mão de obra qualificada já a partir de março. Por isso, a Petrobras apoia a indústria naval com o programa Autonomia e Renda, que vai oferecer 1.600 vagas em cursos de capacitação com bolsa-auxílio”, explicou. Ela também anunciou a inauguração, ainda em março, de uma nova unidade do SENAI em Rio Grande, voltada especificamente à formação de profissionais para o setor naval. A expectativa é que o número de empregos na indústria naval brasileira volte a se aproximar de 80 mil postos de trabalho nos próximos anos.
Porto, celulose e novos investimentos
Além dos contratos da indústria naval, o evento também marcou a assinatura de atos envolvendo o Ministério de Portos e Aeroportos, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e a Secretaria do Patrimônio da União. Entre eles, está a autorização para implantação de um terminal de uso privado dedicado à movimentação de celulose no Porto do Rio Grande.
O contrato, firmado com empresas como a CMPC Brasil e a Neltume Ports Brasil, prevê investimento de cerca de R$ 1,5 bilhão, com geração de 1.200 empregos durante as obras e aproximadamente 2.600 empregos diretos e indiretos na fase de operação. O novo terminal reforça a capacidade logística do porto e sua integração com a nova planta industrial do setor de celulose no estado.
Entregas e cronograma
Nos contratos firmados entre a Transpetro e a Ecovix, está prevista a construção de cinco navios gaseiros, além de empurradores e barcaças, totalizando R$ 2,8 bilhões em investimentos. A previsão é que a primeira embarcação seja entregue em até 33 meses após o início das obras, com novas entregas a cada seis meses. A ampliação da frota deve triplicar a atual capacidade de transporte de GLP da Transpetro.
Com os anúncios, Rio Grande volta a ocupar papel central na política industrial e logística nacional, consolidando-se como um dos principais vetores da retomada da indústria naval brasileira, com impacto direto na economia regional e na geração de emprego e renda.
