A exposição fotográfica “Quem é pra ser já nasce”, da artista e fotojornalista Ana Mendes, será inaugurada no dia 17 de janeiro, na Associação Fotoativa, em Belém (PA). Com entrada gratuita, a mostra segue aberta ao público até 20 de fevereiro de 2026.
O projeto reúne 24 fotografias e colagens em preto e branco, resultado de quase um ano de convivência e trabalho com dez mulheres indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco babaçu e assentadas do Maranhão. Todas são lideranças em seus territórios e têm em comum uma realidade dura: enfrentam ou já enfrentaram ameaças de morte por lutarem pela terra, pela natureza e pela permanência de seus povos.
Apesar da violência que atravessa essas trajetórias, a exposição não se constrói a partir do medo. Pelo contrário. Segundo Ana Mendes, o ensaio nasce de uma pergunta central: “O que vem depois do medo?”.
“Este é um trabalho sobre amor e esperança. Não é sobre violência e morte”, afirma a artista.
A motivação do projeto também é pessoal. Após anos de atuação como fotojornalista, documentarista e cientista social no Maranhão, Ana Mendes passou a receber ameaças em razão de seu trabalho. Diante desse cenário, decidiu deslocar o foco da violência para as respostas possíveis construídas coletivamente por mulheres que seguem resistindo.
Entre as imagens expostas, um autorretrato da própria artista dialoga com as narrativas das mulheres fotografadas, criando um espelho entre defensoras ambientais, comunicadores populares e povos tradicionais — grupos que figuram entre os principais alvos de assassinatos no Brasil. Dados de organizações da sociedade civil apontam o país como um dos mais perigosos do mundo para defensores de direitos humanos, com Pará e Maranhão entre os estados que concentram esses crimes.
O título da exposição é inspirado em uma frase de Pjih-cre Akroá Gamella, liderança indígena fotografada no ensaio. Guardiã da casa-sede de uma fazenda retomada por seu povo na Baixada Maranhense, ela viveu no local com três filhos pequenos sob constantes ameaças. Considerados extintos até 2014, os Akroá Gamella seguem em luta pela retomada de seu território ancestral.
Para a curadora Nay Jinknss, o trabalho aponta para a continuidade das lutas e dos saberes transmitidos entre gerações. “São histórias aprendidas com mães, avós e ancestrais, que seguem vivas mesmo diante da violência”, destaca.
A exposição integra uma pesquisa fomentada pelo Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), e também compõe um recorte da pesquisa de doutorado de Ana Mendes, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Como parte da programação, a mostra participa do Café Fotográfico, promovido pela Associação Fotoativa. O encontro acontece no dia 15 de janeiro, às 18h30, no Sesc Ver-o-Peso, com a presença da artista e de Pjih-cre Akroá Gamella, que também integra a equipe do projeto.
Serviço
Exposição Fotográfica — “Quem é pra ser já nasce”
📅 Abertura: 17 de janeiro, às 10h
🗓 Período: 17 de janeiro a 20 de fevereiro de 2026
📍 Local: Associação Fotoativa — Praça das Mercês, 19, Campina, Belém (PA)
🕒 Funcionamento: terça a sábado, no período da tarde
🎟 Entrada gratuita
Café Fotográfico
📍 Local: Sesc Ver-o-Peso — Blvd. Castilhos França, 522/523, Campina
📅 Data: 15 de janeiro
🕒 Horário: 18h30
🎟 Entrada gratuita
