Seis em cada dez famílias não conseguem acesso pleno à alimentação. Situação leva o Brasil ao patamar da década de 1990
Cerca de 33,1 milhões de brasileiros passam fome atualmente. Em pouco mais de um ano, houve um incremento de 14 milhões de pessoas na condição de não ter o que comer todos os dias. É o que aponta o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, lançado nesta quarta-feira.
A pesquisa também revela que mais da metade (58,7%) dos brasileiros convive hoje com algum grau de insegurança alimentar. A situação leva o país para o mesmo patamar da década de 1990, um retrocesso de 30 anos.
A segunda edição da pesquisa mostra que, dois anos depois do início da pandemia, o país amarga o retorno ao Mapa da Fome da ONU – condição que havia deixado em 2014 – no seu pior nível.
Na primeira edição da pesquisa, em 2020, a fome no Brasil já tinha voltado para patamares equivalentes aos de 2004. Agora, com o agravamento da crise econômica provocado pela pandemia, o contingente de famintos retorna a níveis da década de 1990. Em 1993, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estimou 32 milhões de brasileiros em situação de fome, embora sob outra metodologia.
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O estudo sobre insegurança alimentar foi realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), com execução em campo do Instituto Vox Populi. O projeto conta com o apoio das organizações não-governamentais Ação da Cidadania, ActionAid Brasil, Fundação Friedrich Ebert Brasil, Ibirapitanga, Oxfam Brasil e Sesc.
As estatísticas datam de novembro de 2021 a abril de 2022, período em que o Auxílio Brasil, benefício que substituiu o Bolsa Família, começou a ser pago. Foram feitas entrevistas em 12.745 lares brasileiros, em áreas urbanas e rurais de 577 municípios, distribuídos nos 26 estados e no Distrito Federal. O nível de insegurança alimentar foi medido pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), metodologia também utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Vergonha de sentir fome
A pesquisa da Rede Penssan revela ainda uma dura realidade por quem convive com a fome no país: 15,9 milhões de pessoas, ou 8,2% das famílias entrevistadas, relataram sensação de vergonha, tristeza ou constrangimento pelo uso de meios que ferem a dignidade para conseguir colocar comida na mesa.
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A fome é maior onde o chefe de família está desempregado (36,1%), tem emprego informal (21,1%) ou trabalha na agricultura familiar (22,4%). Nos lares onde o chefe da família trabalha com carteira assinada, a segurança alimentar chega a mais da metade (53,8%) dos domicílios.
Entre os entrevistados que relataram endividamento, quase metade (49,1%) convive com algum grau de restrição de alimentos ou fome. Quando considerados aqueles que precisam vender bens ou equipamentos de trabalho para comer, 48,7% passavam pela insegurança alimentar moderada ou grave.
‘Patamar assombroso’
Para Renato Maluf, coordenador da Rede Penssan, o país atingiu um “patamar assombroso” quando se trata de fome. Ele lembra que são 14 milhões de novos famintos em pouco mais de um ano, o equivalente à cidade de São Paulo, que hoje conta com cerca de 13 milhões de habitantes.
Maluf, que também é professor do Departamento de Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (DDAS) da UFFRJ, considera que a pandemia e a alta nos preços dos alimentos agravaram a situação de insegurança alimentar e fome no país, mas observa que esse cenário é o desdobramento de uma deterioração mais longa:
— Temos uma crise econômica e política que começou entre 2015 e 2016, além do desemprego crescente, precarização do trabalho, queda do salário mínimo e desmonte de programas. Houve ainda uma radicalização no governo atual com relação ao desmonte, que incluiu o fechamento do Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, instituído em 1993) no primeiro dia do governo Bolsonaro.
Seis em cada dez famílias em insegurança alimentar
Além do patamar recorde de brasileiros em situação de fome, a pesquisa revela uma piora no nível de insegurança alimentar. Seis em cada dez domicílios no país não conseguem manter acesso pleno à alimentação. Há 125,2 milhões de brasileiros sob algum grau de insegurança alimentar. O número representa um aumento de 7,2% desde a edição de 2020, e de 60% em comparação com 2018.
De acordo com o IBGE, o conceito de insegurança alimentar abarca uma escala que vai desde aqueles indivíduos que têm risco de passar fome em um futuro próximo, passando pelos que restringem a quantidade de comida para a família até os que não têm alimento na mesa.
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É uma situação como a de Sara da Silva Pestana, de 35 anos. Morando com os quatro filhos em uma casa de ocupação no Rio Comprido, zona norte do Rio, ela tem dificuldades para manter a despensa cheia.
2 de 2 Sara da Silva Pestana tem tido dificuldades para colocar comida na mesa dos filhos todos os dias — Foto: Leo Martins
Sara da Silva Pestana tem tido dificuldades para colocar comida na mesa dos filhos todos os dias — Foto: Leo Martins
Trabalhando há quatro anos como autônoma, fazendo alongamento de unha de ‘acrigel’ e cílios postiços, Sara sentiu o impacto na renda com a perda da clientela na pandemia e o encarecimento dos produtos. Depender de doações de cestas básicas e do auxílio do governo tem sido frequente para colocar comida no prato, e mesmo assim, não é garantia de uma alimentação farta, ela conta:
— Tem dia que falta comida, sim. A gente não passa fome, mas tem dificuldade de alimentação. Hoje, por exemplo, não tinha pão para comer, tive que fazer bolinho de farinha de trigo e dar para as crianças no café da manhã. Faltam açúcar, leite, biscoito… Na semana passada eu tive que deixar de comer para dar alimentos para as crianças. Ser mãe é isso. Muitas vezes eu deixo de comer para dar para eles. Vamos um vivendo um dia de cada vez. Pedindo para Deus prover.
Negros, menos escolarizados e mulheres são mais vulneráveis
Casos como o de Sara – que se declara parda, é mãe solo e estudou até o 1º ano do ensino médio – não são isolados. Segundo a pesquisa, a fome é historicamente maior nos lares chefiados por mulheres e com crianças menores de 10 anos, além de penalizar mais pretos e pardos e menos escolarizados.
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Nas casas em que a mulher é a pessoa de referência, a fome já fazia parte de 11,2% desses domicílios em 2020. Em 2022, passou para 19,3%, quase o dobro. Nos lares que têm homens como responsáveis, a fome passou de 7,0% para 11,9% no mesmo período.
Em pouco mais de um ano, a fome dobrou nas famílias com crianças menores de 10 anos: de 9,4% em 2020 para 18,1% em 2022. Na presença de três ou mais pessoas com até 18 anos no grupo familiar, a fome atingiu 25,7% dos domicílios. Nos lares com apenas moradores adultos, por outro lado, a segurança alimentar chegou a 47,4%, número maior do que a média nacional.
— Crianças se encontram sob risco grande quando vivem essa situação de fome pelo comprometimento que isso gera no seu crescimento e nas suas capacidades física e cognitiva. É preciso prestar atenção se o atraso ou falta de medidas para enfrentar o problema já não está trazendo algum comprometimento de uma geração para o futuro, que já lidou com maiores fragilidades na pandemia, e agora vive essa tragédia – diz Francisco Menezes, analista de políticas da ActionAid e ex-presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar.
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Também sofrem mais com a fome os lares em que os responsáveis possuem baixa escolaridade, com quatro anos ou menos de estudo. Em 2022, 22,3% dos domicílios com essa característica enfrentam a fome. Em 2020, esse percentual era de 14,9%. Na outra ponta, os chefes de família que tem escolaridade mais alta lidam menos com esse problema. O maior percentual de segurança alimentar é em domicílios cujos responsáveis têm mais de oito anos de estudo: 50,6%.
A fome também tem cor e se tornou ainda mais grave pelo recorte de raça nos últimos anos, segundo a pesquisa. Enquanto a segurança alimentar está presente em 53,2% dos lares onde a pessoa de referência se autodeclara branca, esse indicador cai para 35% quando os responsáveis são pretos ou pardos. Isso significa que 65% dos domicílios chefiados por negros passam por alguma dificuldade de pleno acesso aos alimentos.
Na comparação com a edição de 2020 da pesquisa, a fome saltou de 10,4% para 18,1% em 2022 entre os lares comandados por pretos e pardos.
Quando consideradas as grandes regiões do Brasil, os números mostram que a fome é maior no Norte e Nordeste. Respectivamente, 71,6% e 68% dos lares nestas regiões lidam com algum grau de insegurança alimentar – índices maiores do que a média nacional, de 58,7%.
No Norte, a fome fez parte da rotina de um quarto das famílias (25,7%). No Nordeste, esse percentual foi de 21%, enquanto a média nacional é de 15% e, no Sul, 10%.
O campo também sofre mais para colocar comida no prato. A insegurança alimentar fez parte de seis em cada dez lares nas áreas rurais. Destes, 18,6% das famílias convivem com a fome. Nem mesmo os lares de agricultores familiares e pequenos produtores de alimentos escapam dessa realidade: a fome atingiu 21,8% desses domicílios.
Salário mínimo é insuficiente para garantir segurança alimentar
O estudo mostra ainda que a obtenção de um salário mínimo por pessoa não é mais sinônimo de acesso à alimentação de forma adequada. Em 2020, brasileiros que moravam em lares com renda maior que um salário mínimo por pessoa não conviviam com a fome.
Agora, 3% dos lares nesta condição tem seus moradores em situação de fome, 6% convivem com algum grau de restrição de alimentos (insegurança alimentar moderada) e 24% não conseguem manter a qualidade adequada de sua alimentação (insegurança alimentar leve).
— O salário está perdendo a corrida da inflação. Nos lares com renda per capita abaixo de meio salário mínimo, ou então um quarto de salário mínimo, as carências são ainda maiores. A precariedade já é grande e a capacidade aquisitiva fica muito baixa, inclusive considerando que as pessoas são obrigadas a garantir moradia e outras despesas básicas — destaca Francisco Menezes, analista de políticas da ActionAid.
De acordo com a pesquisa da Rede Penssan, cerca de metade das famílias que relataram ter deixado de comprar arroz, feijão, frutas e vegetais nos últimos 3 meses anteriores à pesquisa estão em situação de insegurança alimentar moderada ou passam fome. Entre as famílias que deixaram de comprar carnes nesse mesmo período, 70,4% estão famintas.
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Entre os que precisaram parar de estudar para contribuir com a renda familiar, são 55,2% nesses recortes mais graves de insegurança alimentar.
Conjunto de ações
Especialistas lembram que o Bolsa Família já lidava com a falta de correção em termos nominais, e agora o novo programa Auxílio Brasil permanece com valor insuficiente para apoiar as famílias vulneráveis quando se observam os preços.
Menezes chama atenção ainda para a fila de espera do programa, e considera equivocada a aposta do governo de incluir beneficiários por meio de aplicativo.
— Essa medida não resolve quando você têm situações de extrema pobreza que estão nos rincões mais afastados, em que se quer a população tem acesso à internet. Isso não pode se chamar de modernização do sistema.
Maluf pondera que é preciso um conjunto de ações integradas, já que não há um único instrumento capaz de equacionar a fome e a insegurança alimentar:
— O Brasil hoje carece de estoques de alimentos para regular preços e abandonou a política de agricultura familiar. Se quisermos enfrentar a promoção da segurança alimentar nas suas várias dimensões, precisaremos atuar no acesso aos alimentos e no enfrentamento à crise econômica, com ampliação do emprego e valorização dos salários. Também é preciso atuar sobre as desigualdades de gênero e raça, já que a sociedade brasileira é uma das mais desiguais no mundo.
*Estagiária, sob a supervisão de Danielle Nogueira
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‘Não temos noção do que tenha acontecido’, diz ministro da Defesa sobre desaparecidos na Amazônia
Paulo Sérgio Nogueira disse que região de buscas do jornalista inglês e do indigenista é ‘área crítica, muito sensível e que tem muito problema’
Por Do G1 — Rio
08/06/2022 19h43 Atualizado 08/06/2022
1 de 1 Ministro da Defesa, General Paulo Sérgio Nogueira — Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados
Ministro da Defesa, General Paulo Sérgio Nogueira — Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados
O ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, comentou, nesta quarta-feira (8), sobre o caso do desaparecimento do jornalista inglês Dom Phillis e do indigenista Bruno Pereira na Amazônia. Ao ser questionado, Nogueira disse: “não temos noção do que tenha acontecido”.
“Estamos falando de um local que não chega nem avião, não tem nem pista de pouso”, disse o ministro.
O jornalista e o indigenista desapareceram no domingo (5), durante uma viagem por terras indígenas na Amazônia. O caso é investigado pela Polícia Federal (PF) e instituições como Marinha e Exército fazem buscas na região (veja mais abaixo).
De acordo com o ministro, a região em que as vítimas desapareceram é “uma área crítica, muito sensível e que tem muito problema”. Nogueira falou sobre o caso em uma audiência na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados.
“A gente torce e reza para que sejam encontrados com vida, são e salvo”, disse.
O ministro negou ainda que a operação de resgate tenha demorado para acontecer. De acordo com ele, após saber da notícia, “imediatamente” foi iniciado o planejamento das buscas.
“Não houve retardo. Considerando a distância, o tamanho da nossa Amazônia e a geografia da floresta e dos rios, pode parecer que houve algum retardo”, afirmou.
A área onde a dupla desapareceu é considerada perigosa. O assessor jurídico da União dos Povos Indígenas do Parque do Javari (Univaja), Yura Marubo, disse ainda que há uma organização que atua na região com tráfico de drogas e desmatamento ilegal.
Além disso, segundo a Unijava, Pereira recebia constante ameaças de madeireiros, garimpeiros e pescadores.
Buscas
As buscas ao indigenista e ao jornalista reúnem uma força-tarefa. O Exército atua desde a tarde de segunda-feira (6), na região do Vale do Javari, com combatentes de selva da 16º Brigada de Infantaria de Selva, sediada em Tefé (AM).
A equipe conta com, aproximadamente, 150 militares especialistas em operações em ambiente de selva, que conhecem o terreno onde acontecem as buscas. Além disso, o Exército conta com o apoio de um helicóptero para ajudar no transporte da equipe e de agentes da Polícia Federal, que investiga o caso.
A Marinha participa das buscas com o Comando de Operações Navais, com helicópteros, motos aquáticas e embarcações, mas não informou quantas pessoas estão na missão.
A Funai informou, nesta terça-feira (7), que também atua na operação com 15 servidores da fundação e da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), sob a coordenação do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Desaparecimento
De acordo com a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips desapareceram no trajeto entre a comunidade Ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte. Os dois iam visitar uma equipe de Vigilância Indígena que se encontra próxima ao Lago do Jaburu.
Segundo a entidade, o jornalista ia realizar entrevistas com os indígenas. Eles chegaram ao local na noite da sexta-feira (3). Na manhã do domingo (5), os dois retornaram à cidade de Atalaia do Norte. No caminho, pararam na comunidade São Rafael, afirma a Univaja.
No local, o indigenista pretendia fazer uma reunião com o líder comunitário apelidado de “Churrasco”. Os dois iam “consolidar trabalhos conjuntos entre ribeirinhos e indígenas na vigilância do território bastante afetada pelas intensas invasões”, afirma a entidade na petição enviada à Justiça do Amazonas.
Informações trocadas por dispositivos de comunicação satelital apontam que o indigenista e o jornalista chegaram em São Rafael por volta das 6h de domingo, onde conversaram com a esposa do líder comunitário. De lá, eles partiram rumo a Atalaia do Norte, viagem que dura aproximadamente duas horas, mas não chegaram ao destino.
Eles viajavam com uma embarcação nova, de 40 cavalos, e 70 litros de gasolina, o suficiente para a viagem. Duas equipes de buscas da Univaja percorreram o trajeto que os dois desaparecidos deveriam fazer, mas nenhum vestígio foi encontrado.
Ainda de acordo com a Univaja, a equipe técnica da instituição vem sofrendo ameaças, sem especificar quais e como.
Investigação
Nesta quarta-feira, Amarildo da Costa de Oliveira, de alcunha “Pelado”, suspeito de envolvimento no desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, foi preso pela Polícia Militar, no Amazonas, por posse de munição de uso restrito e permitido.
No entanto, ele nega envolvimento no caso, segundo o delegado titular da 50ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), Alex Perez.
“A única situação que ele acompanhou foi quando a embarcação que Bruno e Dom Philips estavam conduzindo passou em frente a sua comunidade. [Ele fez] contato visual apenas”, afirma o investigador.
A polícia fez buscas na residência de Amarildo em função de denúncias anônimas. De acordo com Perez, a Polícia Civil do Amazonas instaurou um inquérito policial para investigar o caso.
Até a noite dessa terça-feira (7), seis pessoas foram ouvidas pelas autoridades policiais, sendo cinco como testemunhas e uma na condição de suspeito.
A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) ainda não divulgou os nomes das pessoas ouvidas. Fontes em Atalaia do Norte, cidade onde os dois desapareceram, afirmam que o suspeito ouvido pela polícia é Amarildo.
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