Dados da Comissão Nacional da Verdade (CNV) de 2014 estimam que ao menos 8 mil indígenas brasileiros foram assassinados durante a ditadura militar (1946-1988). O número foi usado como base pelas lideranças dos povos originários e especialistas que participaram, nesta semana, em Brasília (DF), da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), para cobrar não só uma investigação rigorosa, como a responsabilização na justiça e punição dos responsáveis por esse genocídio.
O movimento atual busca aprofundar esses números e as circunstâncias dessas mortes. Para isso, ele busca pressionar o Estado brasileiro a criar imediatamente uma Comissão Nacional Indígena da Verdade. O objetivo é investigar formalmente os massacres e as graves violações de direitos humanos cometidos contra os povos originários
Lideranças da Articulação dos Povos Indígenas (Apib) defendem que a reparação histórica só será possível através do resgate da memória, da busca por documentos oficiais e da garantia de “não repetição” das violências.
Verdade histórica
Um fórum composto por organizações indígenas, acadêmicos e o Ministério Público Federal já entregou ao governo federal uma sugestão de texto legal para a criação da comissão. A proposta coloca os indígenas no centro da produção dessa verdade histórica, permitindo que as vítimas narrem as violações que sofreram.
A criação da comissão é uma das 13 recomendações feitas pela CNV há mais de uma década que ainda aguardam implementação efetiva. O movimento destaca que, sem a apuração dos crimes do passado, as comunidades — especialmente em regiões como o Mato Grosso do Sul — continuam vulneráveis a violências que se perpetuam no presente.
(*) Por Ivan Santos, jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.
Fonte: Brasil Fora da Caverna
