Ex-governador afirma estar insatisfeito com decisões da chefe do Executivo, mas que decisão não significa rompimento total
O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) afirmou, nesta quarta-feira (20), que não seguirá ao lado da vice-governadora Celina Leão e sinalizou um rompimento político dentro do grupo que governou a capital nos últimos anos.
Em publicação nas redes sociais, Ibaneis relatou insatisfação com os rumos da aliança e indicou a necessidade de um “realinhamento” político.
“Nós apostamos na governadora Celina como um governo de continuidade daquilo que nós plantamos e de onde nós tiramos o desastre que existia no Distrito Federal. Infelizmente, ao longo desses últimos dias, nós temos tido muitas decepções”, disse Ibaneis.
Segundo ele, a decisão foi discutida em reunião realizada em sua residência, que contou com a presença de deputados, entre eles o presidente da CLDF, Wellington Luiz; o deputado federal Rafael Prudente; e o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi.
rocurando pela reportagem, o político disse que a declaração é um “reconhecimento” que Celina não quer dar continuidade ao governo.
“Ou os pensamentos estão alinhados ou cada um segue seu rumo”, afirmou.
Segundo o g1, sua equipe entrou em contato com a governadora Celina Leão (PP), mas ainda não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Ibaneis Rocha deixou o governo do Distrito Federal em março para cumprir regra da desincompatibilização eleitoral, já que pretende concorrer ao Senado. O bastão foi passado para as mãos da então vice, Celina Leão (PP).
‘Não quer dizer um distanciamento irreversível’, afirmou Ibaneis
No vídeo, Ibaneis afirmou que o partido deve se reorganizar para manter protagonismo no cenário local.
O ex-governador também mencionou que as principais lideranças da sigla defendem a construção de um novo projeto político, com foco na continuidade administrativa, mas sem necessariamente manter a atual composição.
Apesar do tom crítico, ele ponderou que o movimento não representa um rompimento completo com todos os aliados. “Isso não quer dizer um distanciamento irreversível”, disse.
A declaração marca uma mudança significativa no cenário político do Distrito Federal, com impacto direto nas articulações para as eleições.
“Nós não vamos abrir mão das prerrogativas do MDB e daquilo que nós construímos e reconstruímos. Brasília era uma cidade destruída pelos governos que se passaram”, disse Ibaneis.
Ibaneis não cita escândalo com Banco Master
No vídeo, o ex-governador não cita a crise financeira enfrentada pelo Banco de Brasília (BRB). Durante sua gestão, o BRB realizou negócios bilionários com o Master — incluindo a tentativa de compra de ativos e a exposição a carteiras de crédito.
Apesar de afirmar não ter participado das decisões operacionais do banco, o escândalo marcou a despedida do cargo.
O governador, inclusive, foi citado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em depoimento prestado à Polícia Federal em janeiro, no contexto da Operação Compliance Zero.
Durante a gestão, Ibaneis resistiu a fazer um aporte direto do Tesouro do Distrito Federal. Ao assumir, Celina Leão enviou ao Ministério da Fazenda um pedido de garantia para empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC ao BRB.
Déficit orçamentário
Outra mudança promovida por Celina após assumir a gestão foi a exoneração do então secretário de Economia, Daniel Izaías, que passou a atuar como secretário-adjunto, e a nomeação de Valdivino de Oliveira para o cargo.
Em entrevista à rádio CBN, o novo secretário disse que o GDF está com um déficit orçamentário de R$ 42,7 bilhões. Veja na reportagem abaixo:

Acesse o link:
https://g1.globo.com/df/distrito-federal/df2/video/novo-secretario-de-economia-afirma-que-df-tem-deficit-orcamentario-de-r-27-bilhoes-14504121.ghtml
Novo secretário de Economia afirma que DF tem déficit orçamentário de R$ 2,7 bilhões
“Nós não podemos ver o DF em uma máquina desgovernada. O Distrito Federal tem [nos dois últimos balanços] – mais de R$ 2,7 bilhões em déficit orçamentário. Quer dizer, é inadmissível isso. Faltou responsabilidade do GDF como um todo”, afirmou.
Em resposta, Ibaneis Rocha afirmou que o atual déficit é resultado de decisões tomadas ao longo de todo o governo, sem a devida avaliação sobre a disponibilidade de recursos orçamentários e financeiros.
Segundo ele, o problema já havia sido alertado anteriormente e, ainda durante sua gestão, o governo começou a adotar medidas de ajuste a partir de 2025. Ibaneis destacou que foi elaborado um decreto de programação financeira já com foco na readequação das contas públicas.
De acordo com o ex-governador, caso o decreto seja seguido, com contenção de custos e melhora na arrecadação, há possibilidade de o atual governo, liderado por Celina Leão e pelo secretário da área econômica, encerrar o ano sem déficit.
