Não é por tráfico, não é por democracia, não é só por petróleo, é por muito mais e, portanto, pode ir muito mais longe essa empreitada. Na verdade, é pela sobrevivência econômica, talvez nem mais pela condição de império hegemônico. Já não creio ter retorno o processo de multipolaridade econômica, com BRIC’s, com Banco, com sistema independente de compensação e com tantas outras coisas. Não creio ter como salvar o dólar como moeda do mundo e também não será o petrodólar.
Mas então onde poderia estar a sobrevivência econômica dos Estados Unidos? Claro, nas outras Américas, e, como dizem eles: “as américas são dos americanos” (do Norte). Mas então quais os principais produtos hoje existentes nas Américas que são imprescindíveis para a indústria da América do Norte? Claro que é petróleo e… elas, a bola da vez, a novidade da indústria moderna, as tais terras raras. E onde que estão as reservas de petróleo e de terras raras tão necessárias para manter a economia dos Estados unidos? O Petróleo está na Venezuela, a maior reserva do mundo. E as terras Raras? Bem as terras raras estão 49% na China, 23% no Brasil e outros22,1% que estão na Índia, na Australia, na Rússia e no Vietnã, chegaremos então ao volume de 94,1% das terras raras do mundo.
Percebem então o desespero dado ao governo dos Estados Unidos no momento atual da sua história econômica? Não, não é um problema nem uma vontade isolada de Trump. O desespero não é só dele, tem uma rede, para além dele, a depender disso tudo, do petróleo, é bem verdade, mas, principalmente, para o futuro do processo produtivo, das terras raras.
Qual país tem terras raras, e está nas Américas? E qual deles seria mais “fácil” a construção de uma desculpa que justificasse uma invasão? Ou mesmo um processo eleitoral patrocinado para legitimar no poder um aliado plenamente venal sem nenhum sentimento de nacionalismo.
Claro que dirão, Lula não é Maduro, o Brasil não é uma ditadura e o Brasil não é uma Venezuela. Infelizmente não sou tão otimista, em outros momentos já vimos coisa parecida. Olho ao meu redor, nas Américas e vejo o avanço “eleitoral” desse povo, com Big teches e tudo.
Será que não é só o começo a ação na Venezuela? Será que China e Rússia vão continuar só na conversa mole e contando com ONU? Se não houver reação dura agora na invasão da Venezuela, com clara pretensão de saque, em havendo algo parecido no Brasil se teria condições de resposta efetiva? Ou será que trocaram Venezuela por Taiwan e Ucrânia?
Não duvido mais de nada, se forem três (Estados Unidos, China e Rússia) já estaria dada a multipolaridade tão falada. Triste fim do “Velho mundo”, quase inútil politicamente e capengando economicamente às sombras e sobras do império em queda.
Delso Oliveira Andrade
Janeiro de 2026
