Creio que devemos ir de fato ao cerne da questão que se coloca hoje quando falamos da “briga” entre Brasil e Estados Unidos da América que tentam fazer crer ter como foco a figura do Bolsonaro e sua provável condenação pelo STF. Ao meu ver duas questões são determinantes em todo esse processo. Primeiro que em toda a história da humanidade teve um país como “império” que domina a relação entre as nações e se apropriam da maior parte da riqueza gerada, com o aporte do poderio militar. E isso tem uma relação direta com a divisão social do trabalho seja entre pessoas ou entre nações. Segundo dar ênfase a questão econômica e começar fazendo uma rápida observação sobre o papel da moeda na história da humanidade. Num primeiro momento ela aparece como instrumento equalizador na troca de bens e serviços entre as pessoas, em seguida se torna também instrumento de investimento no processo produtivo, por fim vira mercadoria, mas sempre como instrumento de poder. Se em toda a história da humanidade se teve um país que hegemoniza o mundo assumindo o papel de centro do poder e que define a “narrativa”, a ideologia predominante de forma monolítica e, junto a isso o aspecto do papel da moeda como instrumento finalístico de poder seja na relação entre pessoas ou entre nações, acredito, chegaremos ao ponto dos dias de hoje.
E qual a relação entre moeda, pessoas e países na história. Se é a moeda instrumento de poder, deter a moeda significa deter poder. Mas deter moeda em que condições? Como instrumento equalizador de negócios, como instrumento de investimento ou como mercadoria? Mas estou falando dela como instrumento de pessoas ou de nações. Daí recorro a conclusão que a moeda é, principalmente, instrumento de poder e nesse momento, sua principal condição é de mercadoria. Se é a moeda uma mercadoria, ela tem um preço, esse preço é determinado pela procura. Então vem a pergunta: Qual a mercadoria mais cara quando se fala de moeda? Ou seja, qual a moeda mais cara? E, finalmente, quem detém a posse da mercadoria moeda nos dias de hoje?
Pois bem, sabemos que a moeda, seja física e ou virtual, essa mercadoria, a mais procurada e mais cara, está sob o domínio do sistema financeiro capitalista, que faz refém não só pessoas, mas também nações. Esse sistema, a partir do domínio de posse da mercadoria moeda, regula as relações entre pessoas e nações. Assim a contenda real é do sistema financeiro capitalista especulativo X tudo e todos, contra a vida de uma forma geral. Para isso esse sistema constrói “narrativas”, fabrica “lideres”, criam instrumentos de disseminação de suas ideologias, estabelecem instrumentos de dominação a partir do poder que lhes é outorgado, não mais por governos, mas pela posse da moeda.
Mas, o sistema financeiro não está restrito a um país e, muito menos a uma ideologia, são transnacionais e dispõem de instrumentos próprios de funcionamento e até mesmo com ideologia discordantes. Existe sistema financeiro com caráter não especulativo sim. E é isso que está posto realmente como disputa.
Delso Oliveira Andrade Agosto de 2025
(*) Delso Oliveira Andrade, consultor em gestão associativa e processos de cooperação, educador popular e escritor.
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