No dia 31 de março de 2026 registramos 62 anos da ditadura civil militar que se abateu sob o Brasil, que tantas marcas nos deixou e são até hoje sentidas. Sabemos que não se tratou de um fato isolado em nossa região, já que esses movimentos militares aconteceram em toda a América do Sul: Paraguai (1954-1989); Brasil (1964-1985); Bolívia (1964-1982); Peru (1968-1980); Argentina (1966-1973 e 1976-1983); Chile (1973-1990); Uruguai (1973-1985). Foram regimes militares conservadores, apoiados pelos EUA e dentro do contexto histórico da Guerra Fria. Caracterizaram-se por repressão, torturas, mortes, desaparecimentos, censura e o Plano Condor — a aliança regional entre os países da América do Sul para perseguir opositores políticos.
A Comissão Nacional da Verdade no Brasil, órgão temporário ligado ao Governo Federal que encerrou suas atividades em 2014, indicou essa articulação regional dos regimes ditatoriais da seguinte forma “A Operação Condor, formalizou em reunião secreta realizada em Santiago do Chile no final de outubro de 1975, é o nome que foi dado à aliança entre as ditaduras instaladas nos países do Cone Sul na década de 1970 – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai – para a realização de atividades coordenadas, de forma clandestina e à margem da lei, com o objetivo de vigiar, sequestrar, torturar, assassinar e fazer desaparecer militantes políticos que faziam oposição, armada ou não, aos regimes militares da região”.
Com base nas informações das Comissões da Verdade de cada um dos 7 respectivos países, os seus regimes ditatoriais resultaram em mais de 90.000 mortos e desaparecidos em toda a região naquele período. E hoje? O que os Estados Unidos voltam a fazer na região e no mundo? Intervenção direta, militar e sequestro do Presidente da Venezuela. Promove uma guerra fiscal com aplicação de juros elevados nas transições comerciais entre os países, provocando a discórdia entre os latino-americanos. Suas ações militares e bélicas matam meninas, estudantes e professoras no Irã. Esse conjunto de desordem forjado pelo Império dos Estados Unidos deve ser lembrado a todo momento para que, só assim, seja possível evitar que esse tipo de coisa aconteça outra vez. Como nos diz os Movimentos de Direitos Humanos e Sindical Argentino, precisamos assumir como mote e entoar em alto e bom som: Memória, Verdade e Justiça!
Aqui no Brasil estamos na preparação de mais um instrumento para resgatar a memória, buscar a verdade e fazer valer a justiça. Uma série para televisão com sete episódios, dirigida pelo Cleonildo Cruz e Luiz Gonzaga Belluzo, tem o objetivo de retratar com profundidade a articulação política, econômica e militar que perseguiu, torturou, matou e sumiu com centenas de militantes sociais e políticos naquele tenebroso período da história da nossa região.
Será um episodio por país, tendo algumas pessoas como referência da resistência e lutas: Pablo Neruda, Rubens Paiva, Stuart Angel, Zuzu Angel, Paulo Freire, Miguel Arraes, Hebe de Bonafini, Estela de Carlotto, Pepe Mujica, Martín Almada, Dom Luís Aníbal Rodríguez Pardo, Hugo Blanco Galdós, entre outras tntas pessoas que honraram a luta de nossos povos.
Após a leitura desta coluna, entre no Instagram, busque “operacaocondorserie” e seja mais um e mais uma militante na divulgação e na busca da memória, verdade e justiça por NUNCA MAIS ditaduras em nossos países. Sigamos firmes para garantir vida digna para todas as pessoas! Ditaduras, nunca mais!
(*) Por Heleno Araújo, professor, ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e atual coordenador do Fórum Nacional da Educação (FNE).
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