Obra de Kleber Mendonça Filho concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Elenco; Wagner Moura está no prêmio de Melhor Ator
A Acadêmia de Cinema de Hollywood divulgou nesta quinta-feira (22/01) os indicados para o Oscar 2026, a maior premiação da sétima arte nos Estados Unidos. Entre os muitos candidatos anunciados, se destaca o filme brasileiro O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que foi nominado em quatrocategorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Elenco e Melhor Ator.
Na categoria de Melhor Filme, o longa concorrerá contra Bugonia (Ed Guiney, Andrew Lowe, Yorgos Lanthimos, Emma Stone e Lars Knudsen), F1 (Chad Oman, Brad Pitt, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Joseph Kosinski e Jerry Bruckheimer), Frankenstein (Guillermo del Toro, J. Miles Dale e Scott Stuber), Hamnet (Liza Marshall, Pippa Harris, Nicola Gonda, Stevem Spielberg e Sam Mendes), Marty Supreme (Eli Bush, Ronald Bronstein, Josh Safdie, Anthony Katagas e Timothée Chalamet), One Battle After Another (Adam Somner, Sara Murphy e Paul Thomas Anderson), Sentimenal Value (Maria Ekerhovd e Andrea Berentsen Ottmar), Sinners (Zinzi Coogler, Sev Ohanian e Ryan Coogler), e Train Dreams (Marissa McMahon, Teddy Schwarzman, Will Janowitz, Ashley Schlaifer e Michael Heimler).
A cerimônia de entrega dos prêmios Oscar 2026 acontecerá no dia 15 de março.
Prêmios anteriores
Somente este ano, O Agente Secreto já venceu prêmios no Critics Choice Awards, na categoria de Melhor Filme em Idioma Não Inglês, e no Globo de Ouro, onde fatou as estatuetas de Melhor Filme Internacional e de Melhor Ator de Drama, pela performance de Wagner Moura.
Em 2025, o filme colecionou dezenas de prêmios, em diversos festivais mundo afora, com destaque para o Festival de Cannes, o mais importante da França, onde a obra foi agraciada nas categorias de Melhor Ator, para Wagner Moura, e Melhor Direção, para Kleber Mendonça Filho.
Antecedentes do Brasil no Oscar
Na categoria de Melhor Filme Internacional, o Brasil poderá conseguir sua segunda estatueta consecutiva. Caso O Agente Secreto vença a disputa, repetirá a façanha de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que se tornou, em 2025, o primeiro filme brasileiro a vencer uma categoria no Oscar.
Ademais, o filme foi protagonizado por Fernanda Torres, que disputou, mas não venceu, o prêmio de Melhor Atriz, que ficou com Mikey Madison, por Anora.
Antes disso, cinema brasileiro esteve outras cinco vezes na briga pelo prêmio de Melhor Filme Internacional – na época em que a categoria se chamava Melhor Filme em Idioma Estrangeiro (ou seja, não inglês).
A primeira disputa foi em 1960, com Orfeu Negro, e terminou com vitória. Porém, como se tratava de uma co-produção entre Brasil, França e Itália, com um diretor francês (Marcel Camus), a Academia de Hollywood registra oficialmente a premiação como uma vitória francesa, mesmo se tratando de uma história totalmente baseada na peça teatral Orfeu da Conceição, do poeta e compositor brasileiro Vinícius de Moraes.
Há uma ressalva para o caso de O Beijo da Mulher Aranha, co-produção brasileira-estadunidense dirigida pelo argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco e co-protagonizada pela atriz brasileira Sônia Braga, que disputou o Oscar na categoria principal, de Melhor Filme, em 1986 – foi derrotada pelo longa Entre Dois Amores, dirigido por Sydney Pollack e estrelado por Robert Redford e Maryl Streep.
Como era falado majoritariamente em português, o filme não disputou a categoria de Melhor Filme em Idioma Estrangeiro, que foi dado ao argentino A História Oficial, de Luis Puenzo.
Babenco também disputou a categoria de Melhor Diretor, mas foi derrotado por Sydney Pollack, por Entre Dois Amores. A única estatueta conquistada por aquela obra foi na categoria de Melhor Ator, que ficou com o estadunidense William Hurt.
Os outros casos de brasileiros disputando o Oscar foram: O Pagador de Promessas (1963, perdeu contra o francês Les dimanches de Ville d’Avray), O Quatrilho (1996, perdeu contra o neerlandês Antonia), O Que é Isso, Companheiro? (1998, perdeu contra o também neerlandês Caráter) e Central do Brasil (1999, perdeu contra o italiano A Vida é Bela).
No caso de Central do Brasil – outro longa dirigido por Walter Salles –, houve uma indicação para a categoria de Melhor Atriz, para Fernanda Montenegro, no papel da protagonista Dora. Ela perdeu a disputa contra a norte-americana Gwyneth Paltrow, por Sheakspeare Apaixonado. Vale lembrar que Montenegro também faz uma participação em Ainda Estou Aqui.
Em 2004, o longa Cidade de Deus concorreu em quatro categorias do Oscar: Melhor Diretor (Fernando Meirelles, perdeu para Peter Jackson por O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei), Melhor Fotografia (César Charlone, perdeu para Russell Boyd, por Mestre dos Mares), Melhor Edição (Daniel Rezende, perdeu para Jamie Selkirk, por O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei) e Melhor Roteiro Adaptado (Bráulio Mantovani, perdeu para Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens por O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei).
Os últimos longas brasileiros a concorrerem em categorias do Oscar foram O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, que disputou a categoria Melhor Animação na edição de 2016 (perdeu para Divertidamente), e Democracia em Vertigem, de Petra Costa, que foi indicado a Melhor Documentário em 2020 (perdeu para American Factory).
Fonte: Opera Mundi
