Para nossos leitores de fora do Rio Grande do Sul é preciso explicar o termo “gaudério”. Aqui, muitos rio-grandenses se autodenominam de gaúchos ou gaudérios. Nem sonham a origem de fora da lei da palavra “gaudério”.
Mas se não se chama bandido e marginal de gaudério certamente estes estão todos fora da lei, não tem moral e nem ética. Nem existe a chamada “ética de bandido”. Aqui, no Rio Grande do Sul tem criminalidade que compete com os tão criticados Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
Pois bandido que é bandido sempre tem um profundo respeito pela mãe, normalmente aquela que fez de tudo para ele não se tornar um bandido.
OS FATOS:
Feminicídios
Só para lembrar o que foi a Páscoa no Rio Grande do Sul:
– Seis femicídios na Sexta-Feira Santa;
– Mais três no final de semana.
Só neste feriado de Páscoa foram NOVE FEMINICÍDOS NO RS.
Envenenamentos
Lembram da mulher que acabou se matando na prisão que tinha intenção de matar toda a família e matou ao todo quatro pessoas? Foi aqui no Estado.
Filha planeja matar a mãe
Por ser de uma facção criminosa em oposição à facção a que a mãe pertencia, a mãe foi jurada de morte. A filha querendo matar a mãe acabou matando o próprio irmão.
Omissão leva delegado a cair
As autoridades negam, mas o Chefe de Polícia segundo informações que nos chegam caiu por omissão nos casos mais recentes de feminicídio.
O machismo continua imperando no Rio Grande do Sul.
Uma voz forte
A voz mais forte que ouvimos foi da Promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, Iavana Battaglin. Ela foi clara e taxativa, propondo as seguintes medidas:
Reforçar delegacias especializadas no atendimento à mulher (DEAMs), com aumento de efetivo, e implementação do atendimento 24 hora,
Implementar mais casas de abrigo para mulheres (atualmente são 14 em todo Estado)
Criar políticas de geração de emprego e renda
Ampliar e garantir vagas em creche para que a mulher possa ingressar ou se manter no mercado de trabalho, como forma de combater a dependência financeira
Fortalecer centros de referência das mulheres, com investimentos e recursos humanos
Do feminicídio ao fratricídio
Se antes era evidente e corriqueiro agora temos um claro caso de “fratricídio”, ou seja, não importam os laços de sangue e os de união afetiva. O ódio reina. O crime impera. O Estado se cala.
(*) Por Adeli Sell, professor, escritor e bacharel em Direito.
*As opiniões dos autores de artigos não refletem, necessariamente, o pensamento do Jornal Brasil Popular, sendo de total responsabilidade do próprio autor as informações, os juízos de valor e os conceitos descritos no texto.
