Donald Trump não é apenas o presidente dos EUA, é sim um ditador em escala mundial, impondo não só a sua vontade, mas a busca da manutenção da hegemonia política e econômica dos EUA com uma geopolítica militarizada e extraterritorial, prática recorrente e histórica desse país, mesmo quando sob governos dos “democratas”. Sob seu retorno ao poder, vimos uma escalada de intervenções que definem um imperialismo de velho estilo sem diplomacia, sem dialogo. Ações unilaterais que tratam Estados soberanos como territórios a serem controlados, e políticas externas subordinadas a interesses do poder econômico. Nesse cenário os mecanismos de democracia são apenas fachada para interesses da elite e do capitalismo financeiro unipolar.
Nesse contexto, a Venezuela de Hugo Chávez e depois de Nicolás Maduro surge como uma das poucas experiências políticas no continente a reivindicar, abertamente, o socialismo, guiada por um internacionalismo solidário e emancipatório. Desde o início da Revolução Bolivariana, Chávez procurou construir alianças profundas com Cuba — Essa parceria não foi pragmática, foi ideológica. Chávez via em Cuba um modelo de resistência anti-imperialista e de solidariedade. A relação Havana–Caracas transformou-se em um símbolo real de cooperação socialista, algo que nem a China nem a Rússia, na condição de potências geopolíticas o fizeram de forma tão simbólica e histórica.
E me permitam dizer, com o entendimento de quem vê a política global como uma disputa entre projeto hegemônico neoliberal e resistência socialista autêntica, figuras como Chávez e Maduro representam a luta sincera por uma alternativa de solidariedade e autodeterminação, em contraste com líderes e partidos que se subordinam a lógicas capitalistas e imperiais, e com governantes autoritários que usam disfarces democráticos para impor sua vontade sobre outras nações.
Maduro foi sequestrado sim, a ação dos EUA na Venezuela foi um ato terrorista sim. Quem disser menos que isso está falando com base na sustentação das alianças pragmáticas com segmentos empresariais e a adaptação de políticas que pouco desafiam as estruturas do poder econômico global, em vez de construir um projeto verdadeiramente autônomo de socialismo ou anti-imperialismo. Que ressoe as vozes de Petro, de Sheinbaum como parte d@s que resistem de verdade.
Os silêncios, aqui e agora, se expressam em falta de atitudes concretas de resistência e contenção a investida terrorista de Trump, por parte daquel@s que podem agir com força igual ou maior, seja ela econômica e ou militar.
Discursos não irão contê-lo.
Delso Oliveira Andrade
Janeiro de 2026
