“Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina em Gaza, que dela necessita urgentemente”, afirmou porta-voz da ONU, que pede libertação de Thiago Avila e Saif Abukeshek
O Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos condenou o sequestro do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abukeshek pelo governo sionista de Israel.
A primeira declaração da ONU sobre a prisão dos dois ativistas, sequestrados pelo exercito sionista em águas internacionais, nas proximidades da ilha de Creta, na Grécia, se deu por uma declaração do porta-voz da entidade das Nações Unidas, Thameen Al-Kheeta. As informações foram divulgadas por Jamil Chade, no ICL Notícias.
“Israel deve libertar imediata e incondicionalmente Saif Abukeshek e Thiago de Avila, membros da Flotilha Global Sumud, detidos em águas internacionais e levados para Israel, onde permanecem detidos sem acusação formal”, disse o porta-voz.
Al-Kheeta ainda ressaltou que os dois ativistas foram presos ilegalmente apenas por serem solidários e tentarem furar o bloqueio para levar ajuda humanitária ao povo palestino, atacado pelos sionistas, na Faixa de Gaza.
“Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina em Gaza, que dela necessita urgentemente”, afirmou.
Prisão estendida
Nesta terça-feira (5), a prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abukeshek foi estendida por mais seis dias, até domingo (10) às nove horas da manhã, pela justiça israelense. A informação é da ONG de Direitos Humanos Adalah, que atua em Israel, e a decisão foi publicada na página da flotilha Global Sumud.
De acordo com o informe, as advogadas que representam os ativistas afirmaram na audiência que as acusações não têm fundamentos nem elementos que sustentem a detenção contínua. Na audiência anterior, foi apresentada apenas a lista de supostos crimes, como apoio à “organização terrorista”.
A equipe de defesa ressaltou que não existe ligação entre o fornecimento de ajuda a uma população civil por meio de uma flotilha humanitária e qualquer “organização terrorista”. Além disso, como eles foram sequestrados a mais de mil quilômetros de Gaza e não são cidadãos israelenses, a legislação israelense não se aplica a eles.
Apesar disso, o juiz decidiu pela prorrogação com base em provas sigilosas, que não foram apresentadas à defesa, afirmou a ONG.
As embarcações da missão humanitária foram interceptadas por Israel em águas internacionais, na última quarta-feira, nas proximidades da Grécia. Thiago Ávila e Saif Abukeshek foram levados para prisão em Askalan, cidade na costa de Israel, próxima à fronteira Norte de Gaza. Os relatos são de que sofreram tortura e espancamentos.
Há uma campanha nas redes sociais para que cidadãos do Brasil, Espanha e Suécia – Saif também tem cidadania sueca – pressionem Israel a liberar os ativistas.
Em nota no fim de semana, os governos do Brasil e da Espanha condenaram o sequestro de dois cidadãos em águas internacionais por parte do Governo de Israel e exigiram a liberdade dos dois. Afirmaram que é uma ação flagrantemente ilegal e uma afronta ao Direito Internacional e configura delito nas respectivas jurisdições.
Desde o início da invasão israelense em Gaza, em 7 de outubro de 2023, 72.615 pessoas foram mortas, 3 nas últimas 24 horas, e mais de 170 mil foram feridas, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza.
Com informações da Agência Brasil
LEIA TAMBÉM
- Lula condena prisão de Thiago Ávila por Israel e exige libertação imediata do ativista brasileiro
- Israel prorroga prisão de Thiago Ávila por mais seis dias sem apresentar acusação formal
- Caso Thiago Ávila: PF e Itamaraty são acionados após suposta ameaça de Israel contra esposa e filha
- Sequestro em alto-mar
- Itália abre investigação por sequestro após ação de Israel contra flotilha para Gaza
Fonte: Revista Fórum
