Os dados comprovam. Há uma terceira onda migratória do Rio Grande do Sul para fora.
Nas décadas de 30 e 40 eram os colonos que tinham grandes famílias e pouca terra que buscavam as “terras novas” no Oeste catarinense e no Sudoeste do Paraná.
Nos anos 70 foram em levas para o Mato Grosso e o Norte.
Mais recentemente, são novas levas, formando uma onda, que vai às praias de Santa Catarina.
Estamos em busca de explicações.
Num levantamento que temos feito, a economia gaúcha pesa muito, com a falência de empresas, de cooperativas, de venda para multinacionais.
Outros falam da falta de atrativo em geral na capital e da falta de segurança.
Nada como falar com os “migrantes”.
Vamos falar com o jornalista Marco Antonio Franzmann Schuster.
Schuster é natural de Joaçaba (SC), mas se criou em São Leopoldo. Morou e trabalhou em Porto Alegre. Morou também em Gramado. Agora, como muita gente daqui está na Praia de Garopaba.
P – Quais os motivos que te levaram a sair do Rio Grande do Sul?
R – Não diria motivos para sair. Apenas decidimos (eu e Ana Lúcia) procurar lugares mais tranquilos, e menos quentes no verão, para curtir nossa aposentadoria.
P – Por que Garopaba, por que Santa Catarina?
R – Algumas vezes, avinhamos passar alguns dias nesse litoral. Assim, conhecemos Florianópolis, Ibiraquera, Imbituba, Guarda do Embaú, Rosa, Garopaba. Depois de algumas temporadas curtas aqui, decidimos tentar um longo período. Está dando certo.
P – Qual o principal atrativo para morar em Garopaba?
R – Além da praia? Certamente o clima e a tranquilidade do lugar. Há alguns anos, fomos para Gramado por que era um lugar mais tranquilo para a gente morar e cuidar da mãe da Lúcia. Fora da zona turística, Gramado era igual a pequenas localidades do interior. Todos se ajudam e também todo mundo sabia da vida de todo mundo (tem disso, também, rsrs).Frio no inverno, verdade, mas nada muito grave, pequeno comércio, solidariedade, silêncios à noite, vaga-lumes, céu estrelado, trânsito tranquilo. Característica que a cidade está perdendo rapidamente
Encontramos muito disso em Garopaba. Até carro de boi, não na rua principal, mas a poucas quadras dele.
P – Como enxergas a gastronomia local e regional, o lazer, a cultura?
R – Bah, não sou consumidor gastronômico. Mas me parece bem variada a oferta. Os restaurantes não são imensos, são aconchegantes, cardápios variados e diferentes entre eles. Muitas sorveterias (que também servem café), muita de produção local, outras são franquias, mas não de grandes redes nacionais. Tem uma Casa de Cultura que promove sessões de autógrafos e debates com autores, exibição de filmes, a imprensa é pequena, sem jornal impresso diário, alguns podcasts (“Mais Garopaba” do nosso amigo Sérgio Saraiva, o Pantera, por exemplo.) Feiras artesanais no centro.
P – O município tem politicas para a Pessoa Idosa?
R – Olha, recém cheguei e não sei muita coisa. Existem vagas de estacionamento para idosos, a passagem do ônibus urbano é grátis para todas as idades. Mas teria que investigar mais.
P – Tu voltarias a morar no Rio Grande do Sul?
R – Sim. Apesar de nascer em Joaçaba, me criei no Rio Grande do Sul. Até os seis anos de idade, perambulei entre Joaçaba, Rio Grande (RS) e Chapecó (SC), mas aprendei a ler e escrever em São Leopoldo, aonde vivi até os 20 anos. Trabalhei e me aposentei em Porto Alegre. Sou um gaúcho, na verdade. Triste ao ver o estado de abandono cada vez – e são seguidas – que visito Porto Alegre. Mas quando aparece na TV uma imagem da Arena com o Guaíba ao fundo, eu sempre digo “olha a nossa cidade.
(*) Por Adeli Sell, professor, escritor e bacharel em Direito.
*As opiniões dos autores de artigos não refletem, necessariamente, o pensamento do Jornal Brasil Popular, sendo de total responsabilidade do próprio autor as informações, os juízos de valor e os conceitos descritos no texto.
