Ato reuniu profissionais, moradores e parlamentares para denunciar superlotação, falta de recursos e negligência na rede pública, destacando a urgência de investimentos e mobilização social na Região Leste do DF
A Praça Central do Paranoá, cidade-satélite de Brasília, Distrito Federal (DF), foi palco, na manhã de sexta-feira (24/4), de uma manifestação que reuniu profissionais de saúde, lideranças políticas e moradores da Região Leste em defesa do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O ato, organizado pelo fisioterapeuta e ativista Sami Yassine, denunciou o que os participantes classificam como sucateamento da rede pública e abandono da população, sob o lema “Saúde pública sucateada, população abandonada! Quantas vidas mais serão perdidas?”

Durante quatro horas de mobilização, entre 9h e 13h, o protesto destacou problemas estruturais enfrentados diariamente pelos usuários do sistema, como superlotação das unidades, falta de profissionais, escassez de insumos e demora no atendimento. Segundo Yassine, a escolha do Paranoá não foi aleatória: a região simboliza um território historicamente negligenciado, onde o acesso à saúde existe formalmente, mas não se concretiza com dignidade.

manifestação contou com a presença de parlamentares e representantes da sociedade civil, entre eles os deputados Gabriel Magno e Erika Kokay, além de integrantes de conselhos de saúde e movimentos sociais. Para os organizadores, o principal resultado do ato foi dar visibilidade à crise e fortalecer a articulação entre trabalhadores da saúde, população e representantes políticos.
De acordo com Yassine, a situação da saúde pública na Região Leste do DF é crítica, marcada por sobrecarga assistencial, déficit de profissionais e dificuldade de acesso a serviços especializados. Ele afirma que os gargalos mais graves estão na atenção básica fragilizada, nas emergências superlotadas e na falta de integração entre os diferentes níveis de atendimento, fatores que contribuem diretamente para o aumento de riscos à população.

A frase que guiou a manifestação, segundo o organizador, reflete uma realidade estrutural e não pontual. Casos de pacientes aguardando longos períodos por atendimento, equipes incompletas e condições inadequadas de trabalho para profissionais são recorrentes. Nesse contexto, a dignidade no atendimento é apontada como o aspecto mais comprometido.
Relatos de negligência hospitalar também reforçaram as denúncias apresentadas no ato. A presença de moradores, como vítimas de falhas no sistema, evidenciou que problemas como demora no atendimento e ausência de responsabilização continuam ocorrendo. Para os participantes, essas falhas não são isoladas, mas resultado de anos de subfinanciamento e má gestão.
Entre as pautas prioritárias definidas durante a manifestação estão a recomposição das equipes de saúde, a melhoria da infraestrutura das unidades e o fortalecimento do controle social. Os organizadores defendem que a mobilização precisa se ampliar, envolvendo mais ativamente a população, conselhos de saúde e trabalhadores do setor, com o objetivo de aumentar a pressão por mudanças.

Deputada federal Erika Kokay, representantes da sociedade civil e integrantes de conselhos de saúde e movimentos sociais. Foto: Divulgação
Yassine atribui ao poder público a principal responsabilidade pela situação atual, destacando a necessidade de investimento imediato, planejamento e valorização dos profissionais. Ele também aponta que, embora haja atuação de parte do Legislativo, ainda é necessário intensificar a fiscalização e a implementação de políticas estruturantes.
A mobilização também buscou destacar a relação entre saúde, justiça social e questões ambientais, ressaltando que regiões mais vulneráveis sofrem de forma mais intensa os impactos das desigualdades, o que se reflete diretamente nos indicadores de saúde.

Como encaminhamento, o movimento pretende formalizar as demandas apresentadas, promover reuniões com gestores e manter a mobilização ativa. Para a população que não participou do ato, a orientação é buscar envolvimento por meio dos conselhos de saúde, denunciar irregularidades e apoiar iniciativas coletivas.
Para o organizador, a continuidade da pressão social será determinante. “A saúde não pode esperar”, afirma. Segundo ele, a articulação construída e a mobilização coletiva são fundamentais para transformar a realidade. A defesa do SUS, conclui, é uma luta coletiva e permanente em defesa da vida.
